Agricultura

Produtores de manga no Vale do São Francisco miram diversificação após alívio nas tarifas de Trump

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É fim de novembro, e o sol intenso ilumina os pomares de manga e videiras irrigados no Vale do São Francisco. Após mais de três meses de apreensão com as tarifas impostas pelo governo Donald Trump, a retirada das taxas sobre a manga trouxe alívio aos produtores da região. Agora, especialmente os de menor porte, concentram esforços na diversificação de mercados e na redução da dependência de grandes parceiros exportadores para comercializar suas frutas no exterior.

Georgeano Santos, produtor de Juazeiro, no norte da Bahia, exemplifica essa busca por autonomia. Em sua propriedade, o Rancho Sagrada Família, ele cultiva manga em 26 hectares, produzindo cerca de 1 mil toneladas por ano. Desse total, 85% são destinados à exportação para mercados como União Europeia, Estados Unidos, países do Mercosul e Coreia do Sul. No entanto, apenas 10% das vendas são diretas, com o restante intermediado por grandes empresas da região.

Santos, que vem de uma família de pequenos agricultores e iniciou o cultivo em 2009 após adquirir lotes no Projeto Público de Irrigação Salitre, da Codevasf, vê na venda direta uma forma de melhorar as margens de lucro. “Um dos grandes desafios para o ano de 2026 é buscar acesso ao mercado de uma forma mais direta”, afirmou ele durante uma visita de potenciais clientes estrangeiros. Com investimentos em tecnologia e manejo, sua produtividade saltou de 25 para 35 a 40 toneladas por hectare nos últimos dez anos, cultivando variedades como palmer, tommy, keitt e kent.

Francisco Luiz Torrisi, dono da fazenda Barach, também em Juazeiro, segue caminho semelhante. Filho de italianos que chegaram à Bahia em 1972, ele exporta 88% de sua produção anual de 1.200 toneladas, mas via grandes empresas. Seu objetivo é alcançar 50% de exportações diretas no curto prazo e quadruplicar a produção para 5 mil toneladas até 2030. Iniciando em 2018 com seis hectares no Projeto Salitre, hoje ele gerencia 218 hectares, sendo 68 dedicados à manga, principalmente da variedade palmer.

Torrisi destaca o solo rico em cálcio da região como diferencial, que confere maior firmeza e durabilidade às frutas. Para abrir mercados, a Barach firmou parcerias com escritórios especializados e participa de feiras internacionais. “Sabemos que há mercados que valorizam a história por trás de um produto”, explicou ele. A fazenda planeja expandir para 138 hectares com manga, com implantações previstas para 2026.

A GrandValle, grande produtora e exportadora em Casa Nova, complementa o cenário. Fundada em 1988 por Gilberto Secchi, a empresa fatura R$ 700 milhões ao ano e cultiva 600 hectares de manga e 150 de uva. No entanto, 70% de seu comércio global vem de compras de terceiros, incluindo produtores como Santos e Torrisi. Com planos de expandir para mais 2 mil hectares em quatro a cinco anos, a companhia ainda dependerá de fornecedores para atender demandas da América do Norte, América do Sul, Europa e Ásia.

Essas iniciativas ganharam visibilidade durante o Projeto Comprador, organizado por CNA, Sebrae e Apex, que levou potenciais clientes estrangeiros ao Vale do São Francisco. A bielorussa Volga Bazyleva, da From All The World Pte em Cingapura, busca informações sobre produção e exportação para clientes na China e Líbano. Já Diry Khandan, da holandesa Kurdino, elogiou as capacidades brasileiras e expressou interesse em parcerias diretas com exportadores locais.

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