Uma infecção fulminante provocada pela bactéria Clostridium chauvoei, conhecida como carbúnculo, tem causado mortes súbitas em bezerros e garrotes brasileiros, com taxa de letalidade próxima a 100%. O problema atinge principalmente animais entre seis meses e três anos de idade que pastejam em áreas com escassez de forragem, onde o risco de traumas musculares aumenta durante o manejo no lote.
Como a bactéria age no organismo
Esporos da bactéria são ingeridos junto com terra durante o pastejo e permanecem dormentes até que um trauma muscular, como um coice ou batida, crie um ambiente sem oxigenação. Nesse momento, os esporos germinam rapidamente, multiplicam-se e liberam toxinas necrosantes que provocam inchaço, crepitação gasosa e apatia, levando o animal à morte em 12 a 36 horas.
A ausência de vacinação preventiva e o adensamento das pastagens elevam o risco de contusões que ativam os esporos. Pecuaristas relatam que o problema se agrava em períodos de seca, quando o gado compete por espaço e alimento.
Impacto econômico para o produtor
Além da perda direta do animal, o produtor enfrenta prejuízos com insumos, tempo de giro e potencial de arroba futura. Em rebanhos de mil cabeças, um surto descontrolado pode comprometer toda a lucratividade do semestre, segundo analistas do setor.
Quando o bezerro sofre uma contusão, seja por um coice no lote, uma batida forte no tronco de contenção ou até o estresse de uma viagem, o tecido muscular afetado fica sem oxigenação. É o ambiente perfeito para o esporo germinar, se multiplicar em velocidade recorde e liberar toxinas necrosantes
Ana Paula Rezende
Se o pecuarista perde um garrote de 12 arrobas para o carbúnculo, ele não perdeu apenas o valor do bezerro desmamado. Ele perdeu os insumos investidos, o pasto consumido, o tempo de giro e a arroba futura que seria comercializada. Em um rebanho de mil cabeças, um surto não controlado de clostridiose pode aniquilar a lucratividade do semestre
Marcos Lins