A produção de açúcar no centro-sul do Brasil registrou queda de 2% no acumulado dos dois primeiros meses da safra 2026/27, mesmo com o aumento da moagem de cana. De acordo com dados divulgados em 22 de junho de 2026, as usinas destinaram maior volume de matéria-prima para a fabricação de etanol, influenciadas por preços baixos do açúcar e pela vantagem econômica do biocombustível. A Unica, Conab, ANP e o Ministério da Agricultura acompanharam o desempenho do setor nesse período.
Destinação da cana para etanol cresce
As usinas do centro-sul direcionaram 58,58% da cana moída para a produção de etanol, ante 49,9% no ciclo anterior. Essa mudança resultou em produção de apenas 2,2 milhões de toneladas de açúcar na segunda quinzena de maio, o que representa queda de 25,62% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O aumento da moagem não compensou a redução na fabricação do adoçante, pois o etanol ofereceu retorno mais atrativo.
Preços e mercado explicam a escolha
Os preços do açúcar próximos de mínimas em vários anos, somados à queda do petróleo, tornaram o etanol mais vantajoso para os consumidores em comparação com a gasolina. As usinas responderam a esse cenário econômico ao priorizar o biocombustível nos primeiros meses da safra 2026/27. Especialistas do setor observam que a estratégia reflete a busca por margens melhores em um mercado volátil.
Os dados confirmam que o centro-sul concentra a maior parte da produção nacional de cana. A análise dos dois meses iniciais revela que o etanol ganhou espaço rápido, enquanto o açúcar perdeu participação. Esse movimento pode influenciar os estoques e os preços ao consumidor nos próximos meses.