A Índia deve suspender as exportações de açúcar por pelo menos três safras consecutivas, diante da combinação entre o risco de queda na produção de cana-de-açúcar provocado pelo El Niño e o aumento do uso da matéria-prima para fabricação de etanol. Executivos do comércio, fontes governamentais e agricultores indianos alertam para estoques que já se encontram nos menores níveis em três décadas. A estimativa oficial aponta para uma colheita de apenas 27,9 milhões de toneladas na próxima safra, o que reduz drasticamente a disponibilidade para exportação.
Importadores de açúcar na Ásia, África e Oriente Médio acompanham com atenção os desdobramentos, pois a ausência do produto indiano tende a pressionar os preços nos mercados de referência de Londres e Nova York. O fenômeno climático El Niño deve reduzir as chuvas em regiões produtoras, comprometendo o plantio e mantendo os estoques apertados. Ao mesmo tempo, o governo indiano prioriza o fornecimento de etanol para veículos flex-fuel, com projeção de dobrar a demanda pelo biocombustível nos próximos anos.
Riscos climáticos e estoques reduzidos
O diretor-gerente da MEIR Commodities India, Rahil Shaikh, destaca que a oferta já está escassa no país e que o El Niño representa um risco adicional significativo. A decisão de restringir as exportações reflete tanto a preocupação com a segurança alimentar interna quanto a necessidade de garantir matéria-prima para o programa de biocombustíveis. Agricultores relatam que o plantio de cana-de-açúcar já enfrenta dificuldades em várias regiões devido à irregularidade das chuvas.
Políticas de etanol e impacto internacional
O açúcar é considerado politicamente sensível na Índia por ser essencial para consumidores de baixa renda, o que torna qualquer restrição de oferta um tema delicado para as autoridades. Com a prioridade dada ao etanol, menos cana será destinada à produção de açúcar, reforçando a tendência de menor disponibilidade para o mercado externo. Analistas esperam que Brasil e Tailândia possam preencher parte da lacuna, embora também enfrentem riscos climáticos semelhantes.
A oferta já está escassa na Índia, e agora o El Niño está se tornando um grande risco. Se as chuvas ficarem aquém das previsões, o plantio de cana será prejudicado e isso manterá a Índia fora do mercado de exportação de açúcar por pelo menos três anos, enquanto o Brasil e a Tailândia também podem ter suas safras afetadas pelo El Niño.
Rahil Shaikh