Egito e África do Sul consolidaram posição dominante no mercado global de laranja de mesa ao exportarem juntos 300 milhões de caixas adicionais de 40,8 kg entre 2010 e 2026. Os dois países elevaram suas vendas externas de 47,6 milhões para 83,3 milhões de caixas, ampliando a participação de 48,6% para 69% do total mundial, segundo dados do USDA e da CitrusBR. Enquanto isso, o restante do mundo reduziu as exportações de 50,3 milhões para 37,8 milhões de caixas no mesmo período.
Expansão sustentada por fatores competitivos
A ascensão egípcia e sul-africana resultou de dificuldades enfrentadas por concorrentes tradicionais. Problemas como o greening na Flórida, eventos climáticos na Califórnia, secas e doenças na Europa abriram espaço para novos fornecedores. O Egito se beneficiou da desvalorização cambial, de acordos preferenciais e de custos baixos de produção, enquanto a África do Sul ampliou sua capacidade produtiva de forma consistente.
Posição do Brasil no cenário atual
O Brasil, representado pela CitrusBR, observa o movimento com atenção. O diretor-executivo Ibiapaba Netto destaca que a estratégia dos dois países alterou a dinâmica de oferta global. Ele ressalta que a expansão na fruta fresca no Egito também impulsionou o processamento, gerando maior concorrência, principalmente no mercado europeu.
Enquanto a África do Sul focou no mercado de fruta de mesa, no Egito a expansão na fruta fresca também contribuiu para o aumento do processamento e uma posição de concorrência mais acirrada, principalmente no mercado europeu.
Ibiapaba Netto
Perspectivas para o suco de laranja
Se as estimativas do USDA se confirmarem, o volume adicional de suco equivalente chegará a 78 mil toneladas em um momento de demanda em queda. A CitrusBR monitora os efeitos sobre os preços e sobre a cadeia produtiva brasileira. O cenário reforça a necessidade de estratégias de diferenciação para o produto nacional nos mercados dos Estados Unidos e da Europa.