Empresas brasileiras registram um aumento expressivo nos pedidos de recuperação extrajudicial em 2026, com a Raízen liderando o movimento ao negociar dívidas de R$ 65,1 bilhões. O mecanismo, que cresceu desde 2021, já contabiliza 33 solicitações até julho deste ano, superando o ritmo observado em anos anteriores. Especialistas atribuem o fenômeno à taxa Selic em 14,25% ao ano, combinada com a reforma legal de 2020 que flexibilizou o instrumento.
Motivos do crescimento recente
Empréstimos contraídos durante a pandemia, quando a Selic estava em 2%, tornaram-se onerosos com a elevação dos juros. A recuperação extrajudicial permite negociações diretas com grupos selecionados de credores, aprovadas por maioria simples e tornadas vinculantes sem envolver todos os envolvidos. Diferente da via judicial, o processo preserva a reputação e o acesso a linhas de crédito.
uma mudança cultural
Juliana Biolchi
Empresas como Casas Bahia, Tok&Stok, GPA e Oncoclínicas também adotaram a estratégia para reestruturar passivos sem o estigma associado a outros procedimentos.
Visão dos especialistas sobre o cenário
Luiz Fabiano Saragiotto destaca que os pedidos judiciais tradicionais envolvem todos os credores, afetando a reputação da companhia e o acesso às linhas de crédito, além da manutenção do negócio em si. Ele acrescenta que, no momento em que um pedido de recuperação judicial é deferido, a empresa ganha esse carimbo maldito. Caio Viggiano observa que os investidores estão muito mais preocupados com o risco de crédito do que estavam no passado, o que reforça a busca por soluções extrajudiciais mais discretas e eficientes.
O cenário atual indica que o instrumento deve continuar relevante enquanto as taxas de juros permanecerem elevadas, oferecendo às companhias uma ferramenta para preservar operações e renegociar obrigações de forma mais ágil.