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Embrapa cria fungo que altera aroma do milho e atrai vespa contra percevejo

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Foto: Divulgação
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Pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia desenvolveram uma tecnologia que utiliza o fungo Beauveria bassiana para alterar o aroma do milho e atrair a vespa Telenomus podisi, inimiga natural do percevejo-barriga-verde. A inovação, fruto de cinco anos de estudos em condições controladas em Brasília, foi publicada no Journal of Pest Science e representa um avanço no controle biológico de pragas na cultura do milho. Ao invés de depender exclusivamente de inseticidas químicos, a abordagem explora mecanismos naturais da planta para reduzir danos causados pelo inseto.

Funcionamento da interação entre fungo e planta

A aplicação do fungo nas folhas permite que ele colonize o interior do milho sem causar danos à cultura. Uma vez estabelecido, o micro-organismo modifica os compostos voláteis liberados pela planta, aumentando a produção de salicilato de metila, substância que atrai a vespa, e reduzindo o alfa-farneseno, que pode repelir o inseto benéfico. Testes em laboratório demonstraram que as vespas localizam com maior eficiência os ovos do percevejo-barriga-verde quando o fungo está presente.

Vantagens para o manejo integrado de pragas

A estratégia fortalece o controle biológico ao potencializar a ação da vespa Telenomus podisi, que parasita os ovos do percevejo e impede o surgimento de novas gerações da praga. Com isso, produtores de milho podem diminuir a aplicação de produtos químicos, reduzindo custos e impactos ambientais. A tecnologia se alinha a práticas de agricultura sustentável ao preservar inimigos naturais e minimizar resíduos em grãos.

Próximos passos da pesquisa

Após os resultados positivos em ambiente controlado, a equipe planeja realizar testes em áreas comerciais em diferentes regiões do país para validar a eficácia em condições reais de cultivo. Os pesquisadores Maria Carolina Blassioli-Moraes e Fátima Maria Gontijo Guedes destacam que a solução poderá ser integrada a programas de manejo integrado, beneficiando tanto grandes produtores quanto agricultores familiares. A expectativa é que a tecnologia contribua para sistemas produtivos mais resilientes e menos dependentes de defensivos sintéticos.

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