Um estudo da Fundação SOS Mata Atlântica identificou 25 tipos de agrotóxicos em amostras de água coletadas em 14 pontos do rio Tietê, incluindo herbicidas, fungicidas e inseticidas, além de microplásticos e resíduos de medicamentos e drogas ilícitas. A expedição, realizada entre 9 e 14 de junho de 2025, abrangeu trechos entre Pirapora do Bom Jesus e Barra Bonita, além da nascente em Salesópolis, no interior de São Paulo. A análise foi conduzida em parceria com o Laboratório de Ecotoxicologia do CENA/USP, universidades e o Instituto Itaúsa.
Origem da contaminação no rio Tietê
Os agrotóxicos detectados são amplamente utilizados em lavouras de cana-de-açúcar, soja e citros na bacia hidrográfica. Parte das substâncias chega ao rio por meio do escoamento superficial durante chuvas ou pela infiltração no solo. Um exemplo destacado é a atrazina, permitida no Brasil, mas proibida na União Europeia devido aos riscos comprovados à saúde humana e ao meio ambiente.
Os pesquisadores alertam que a presença simultânea de múltiplos compostos químicos potencializa os impactos na qualidade da água. Microplásticos e resíduos de produtos farmacêuticos também foram encontrados, ampliando o quadro de poluição além dos agrotóxicos tradicionais.
Consequências para o ecossistema e a população
A contaminação compromete a biodiversidade aquática e representa riscos para comunidades que dependem do rio para abastecimento ou atividades econômicas. A SOS Mata Atlântica recomenda maior fiscalização no uso de defensivos agrícolas e a adoção de práticas que reduzam o escoamento de substâncias para os cursos d’água.
Os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas que limitem substâncias de alto risco e incentivem alternativas menos agressivas à produção agrícola na região. Novas coletas estão previstas para monitorar a evolução do quadro ao longo dos próximos meses.