O mercado brasileiro de vinhos importados registrou volume recorde de 10,22 milhões de caixas no primeiro trimestre de 2026, mesmo com uma queda de 9% nas importações de rótulos mais acessíveis. A consultoria Ideal.BI aponta que as marcas premium alcançaram preço médio histórico de US$ 31,2 por caixa e responderam por um terço da receita total. Esse movimento reflete a redução do poder de compra da classe média-baixa e a preferência crescente por produtos de maior valor agregado.
Recuperação dos tintos e alta dos espumantes
Após dois anos de queda, os vinhos tintos voltaram a crescer no período. Os espumantes, por sua vez, aumentaram 9% em volume, apesar da redução geral nas importações de menor preço. Os dados da Ideal.BI mostram que o segmento premium ganhou espaço significativo entre os importadores brasileiros, que ajustaram suas carteiras para atender à demanda por rótulos de maior qualidade.
América do Sul lidera as importações
Os exportadores da América do Sul concentraram 65% das vendas ao Brasil. O Uruguai registrou expansão de 44% e a Argentina avançou 16%, enquanto a Espanha manteve posição relevante entre os fornecedores europeus. O CEO da Ideal.BI, Felipe Galtaroça, destaca que as expectativas em torno do Acordo de Livre Comércio entre União Europeia e Mercosul influenciam as estratégias de importação para os próximos meses.
O cenário atual indica que o consumidor brasileiro está disposto a pagar mais por garrafas premium, mesmo diante de um ambiente econômico desafiador. A análise da consultoria reforça que o primeiro trimestre de 2026 consolidou a tendência de valorização do portfólio importado no país.