Um levantamento da Assessoria Econômica da Farsul revela que 88,3% do saldo devedor de contratos de crédito rural analisados no Rio Grande do Sul não conseguem acessar as condições facilitadas previstas na Medida Provisória nº 1.376/2026. A análise, baseada em dados de abril de 2026 e na safra 2025/26, mostra que apenas 11,7% dos valores se enquadram nas regras da norma publicada em 15 de julho de 2026.
Limites da medida provisória para o crédito rural
A Farsul examinou R$ 93 milhões em saldos devedores e constatou que somente R$ 10,85 milhões atendem aos critérios. As exclusões ocorrem principalmente porque a MP não contempla CPRs emitidas para cooperativas e fornecedores de insumos, além de exigir renegociação prévia formalizada e apresentar restrições que afastam produtores adimplentes.
Os produtores gaúchos, que mantêm a menor inadimplência do país segundo o Banco Central, frequentemente aceitaram prorrogações e renegociações onerosas para preservar o crédito. Essa realidade, no entanto, os deixa de fora da solução estruturada oferecida pela medida.
Visão do economista-chefe da farsul
Nós fizemos um estudo com casos reais, de produtores que se disponibilizaram a passar seus contratos para a gente avaliar o quanto se enquadraria e o quanto não se enquadraria, porque víamos que a MP era muito limitada, sobretudo no que diz respeito às CPRs e aos investimentos. Rodamos as operações de cada um dos produtores e o valor deu pouco mais de 11% do estimado. Temos um universo de dívida que não para de crescer, dobrando a cada 12 meses, e uma solução que não chega nem perto do problema.
Antônio da Luz
O Rio Grande do Sul, de acordo com o Banco Central, tem a maior carteira estressada do Brasil, com a maior quantidade de prorrogação e renegociação. Mas, por outro lado, o produtor gaúcho é o que tem a menor inadimplência do país. Para se manter adimplente, ele aceitou prorrogações e renegociações absurdamente caras e difíceis de honrar, mas foi lá e fez, à espera de uma solução mais estruturada. E a MP deixou de fora justamente esse produtor, que fez um sacrifício para manter a adimplência. É um erro grave ao punir quem mais se esforçou.
Antônio da Luz
Desafios para custeio e investimento no estado
Mesmo o custeio adimplente, categoria com melhor desempenho na amostra, exige renegociação prévia formalizada; o investimento adimplente não tem hoje nenhuma porta de entrada.
Antônio da Luz
O estudo reforça que a carteira estressada no Rio Grande do Sul cresce rapidamente, dobrando a cada doze meses, enquanto a MP alcança menos de um oitavo do montante avaliado. Especialistas apontam a necessidade de ajustes na norma para incluir operações já renegociadas e CPRs, evitando penalizar quem manteve a adimplência em meio a dificuldades climáticas e de mercado.