Consumidores brasileiros têm relatado que os biscoitos disponíveis no mercado atual apresentam qualidade inferior em comparação com os produtos de décadas passadas, especialmente em textura, recheio, sabor e quantidade por embalagem. As percepções baseiam-se em memórias de itens consumidos nos anos 1990, quando as formulações pareciam mais generosas e saborosas. Especialistas apontam que essas alterações resultam de ajustes industriais realizados ao longo dos anos para enfrentar desafios econômicos e regulatórios.
Fatores que explicam as transformações
Empresas ajustaram receitas, processos produtivos e fornecedores para reduzir custos diante da inflação e da alta de matérias-primas. Reformulações também visaram diminuir teores de açúcar, sódio e gordura, em resposta a exigências de segurança alimentar e preferências por opções mais saudáveis. Cristiane Ruffi, pesquisadora do Ital, e Fernanda Vanin, professora da USP, destacam que a evolução da ciência dos alimentos e controles rigorosos influenciaram essas decisões sem comprometer a viabilidade comercial.
Henrique Lira, personal trainer e professor, observa mudanças perceptíveis no dia a dia dos consumidores.
Muitos mudaram. Começando pela quantidade: vários produtos perderam peso e, se você perceber, parece que alguns pacotes ficaram com quatro ou cinco unidades a menos. Também sinto diferença na composição e na experiência de consumo
Henrique Lira
Percepções sobre textura e sabor
Além da redução de peso, relatos indicam que recheios perderam cremosidade e intensidade de sabor. Processos industriais otimizados e embalagens mais compactas contribuem para uma experiência de consumo diferente da recordada. Essas adaptações mantêm margens de lucro enquanto atendem normas atualizadas, embora gerem insatisfação entre quem compara com versões antigas.
Antes, alguns recheios tinham outra textura, eram mais cremosos e tinham uma sensação diferente na boca. Hoje, em alguns casos, parecem mais secos e menos intensos no sabor
Henrique Lira
O cenário reflete estratégias de mercado que equilibram rentabilidade e conformidade regulatória no Brasil. Consumidores continuam a notar as diferenças, o que influencia escolhas de compra e discussões sobre qualidade alimentar.