A União Europeia excluiu o Brasil da lista de países que seguem suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária, interrompendo as compras de produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026. A decisão afeta principalmente exportadores de carne bovina, com foco em fazendas localizadas em Mato Grosso do Sul. Embora não tenham sido identificadas irregularidades nos produtos brasileiros, o bloco europeu considera insuficiente o controle nacional sobre esses medicamentos. Pecuaristas locais já avaliam redirecionar suas vendas para o mercado interno ou outros destinos.
Reações dos produtores rurais
Rafael Andrade Asato e André Bartocci, pecuaristas de Mato Grosso do Sul, expressaram frustração com a medida. Ambos investiram anos em rastreabilidade para atender ao mercado europeu. A interrupção ocorre em um momento de ciclo produtivo longo, o que pode atrasar qualquer retomada por até dois anos.
Investimos durante anos para atender à União Europeia.
Rafael Andrade Asato
É frustrante. Faz mais de 20 anos que rastreio gado para exportar carne para a Europa.
André Bartocci
Próximos passos do setor
O Ministério da Agricultura do Brasil e representantes do setor de carne bovina buscam novos protocolos para restabelecer as exportações. Enquanto isso, os produtores planejam direcionar a produção para mercados alternativos ou consumo doméstico. A Europa indicou que não voltará a comprar carne bovina do Brasil antes de dois anos.
A Europa disse que não volta a comprar carne [bovina] do Brasil antes de 2 anos
André Bartocci
As autoridades brasileiras afirmam que continuarão a dialogar com a União Europeia para esclarecer os controles existentes. A exclusão não se baseia em problemas sanitários detectados na carne nacional, mas na avaliação de sistemas de monitoramento. O impacto econômico será monitorado nos próximos meses, especialmente nas regiões exportadoras.