Um projeto de recuperação florestal iniciado há mais de três décadas em uma propriedade rural de Capitão Poço, no nordeste do Pará, restaurou 56 hectares de floresta secundária. A iniciativa interrompeu o uso agrícola em áreas sensíveis e favoreceu o retorno da água, da fauna local e o surgimento de pesquisas científicas sobre clima e regeneração amazônica. Manoel Geraldo de Carvalho, conhecido como Seu Duquinha, e a bióloga Laína Carvalho lideraram o esforço familiar que transformou a paisagem degradada.
Decisão familiar e mudança de uso da terra
A família optou por substituir roçados por espécies nativas após avaliar os impactos do cultivo contínuo em solos vulneráveis. Cerca de 30 mil mudas de castanheiras, jatobás, piquiás e bacurizeiros foram plantadas ao longo dos anos, enquanto a vegetação espontânea recebeu proteção permanente. Essa abordagem alterou a relação da família com a terra e permitiu a reconstrução gradual do ecossistema original.
Técnicas de monitoramento e proteção
Duas torres de 20 e 40 metros foram instaladas para abrigar sensores climáticos que registram dados sobre temperatura, umidade e chuvas. A proteção da vegetação nativa em crescimento espontâneo complementou o plantio, criando condições para a regeneração natural. Pesquisadores como Fernando Elias participam de estudos que analisam os efeitos da recuperação na dinâmica climática regional.
Os resultados incluem o retorno de espécies da fauna e o restabelecimento de cursos d’água antes intermitentes. O projeto, conduzido sem data de conclusão definida, continua a atrair atenção de instituições interessadas em modelos de restauração amazônica. A experiência demonstra que intervenções de longo prazo podem reverter processos de degradação em propriedades rurais quando combinam plantio dirigido e preservação de processos naturais.