Uma pesquisa realizada durante duas safras na região da Puglia, no sudeste da Itália, mostrou que a sombra dos módulos fotovoltaicos aumentou a umidade do solo, reduziu o estresse provocado pelo calor e elevou a produção de uvas em videiras em até 277%. O estudo, publicado em 2025 na revista Horticulturae, reforça o potencial da agricultura agrivoltaica em climas mediterrâneos semiáridos, onde o excesso de radiação solar costuma limitar o desenvolvimento das plantas.
Resultados do sombreamento controlado
Os pesquisadores compararam videiras submetidas a diferentes níveis de sombreamento pelos painéis solares com plantas cultivadas a pleno sol. As análises de microclima revelaram que a cobertura parcial elevou a umidade do solo e baixou a temperatura, condições que diminuíram o estresse hídrico e térmico das videiras. Em consequência, a produtividade cresceu de forma expressiva, alcançando o pico de 277% a mais em relação às áreas sem proteção.
Contexto e metodologia aplicada
O experimento foi conduzido em condições típicas de clima quente e seco da Puglia. Os cientistas monitoraram temperatura e umidade do solo ao longo das duas safras, registrando ganhos consistentes nas parcelas com sombreamento adequado. A abordagem demonstrou que a integração entre geração de energia solar e cultivo de uvas pode transformar o excesso de radiação em vantagem produtiva, sem comprometer a qualidade dos frutos.
Os achados abrem caminho para sistemas agrivoltaicos mais eficientes em regiões semiáridas. Ao combinar painéis solares com videiras, produtores podem aumentar a rentabilidade por hectare e reduzir o consumo de água, contribuindo para a sustentabilidade da agricultura mediterrânea diante das mudanças climáticas.