O mercado pecuário brasileiro pode registrar uma valorização expressiva nos próximos ciclos, com a arroba do boi gordo se aproximando de R$ 500 e o bezerro alcançando cerca de R$ 6 mil. Essa projeção baseia-se na redução dos rebanhos globais, na menor produção de bezerros e na demanda aquecida por carne, conforme análise de Maurício Velloso, presidente da Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon).
Fundamentos de oferta e demanda
A pressão sobre os estoques bovinos para atender ao consumo crescente cria um cenário favorável à alta de preços. Nos últimos seis anos, o aumento contínuo do abate e do consumo coincide com a diminuição na produção de bezerros em diversas regiões do planeta. No Brasil, a eficiência produtiva pode ser elevada para compensar parte dessa restrição de oferta.
Rogério Goulart, da Carta Pecuária, também observa que o ciclo pecuário atual reforça a tendência de escassez. A menor disponibilidade de animais para abate e reposição eleva o valor dos animais jovens e prontos para o frigorífico.
Perspectivas para o ciclo pecuário
Maurício Velloso destaca que a valorização não é uma questão de possibilidade, mas de timing. Ele afirma que o patamar histórico do bezerro não retornará aos níveis anteriores, com o teto projetado ao redor de R$ 6 mil.
A questão não é se vai chegar, é quando vai chegar
Maurício Velloso
A arroba do boi historicamente acompanha o movimento do bezerro, o que reforça a expectativa de preços mais elevados em toda a cadeia. A redução global de rebanhos, combinada ao aumento do consumo, sustenta essa trajetória no médio prazo.