AgriculturaBoiPecuária

CNA cobra governo contra bloqueio da UE a carnes brasileiras

39
A CNA contesta a decisão europeia e diz que ela decorre da aplicação extraterritorial de normas sobre o uso de antimicrobianos — Foto: Thiago de Jesus
A CNA contesta a decisão europeia e diz que ela decorre da aplicação extraterritorial de normas sobre o uso de antimicrobianos — Foto: Thiago de Jesus

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) enviou ofício aos ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura e Pecuária pedindo ações imediatas para reverter o bloqueio da União Europeia às importações de carnes brasileiras. A entidade argumenta que a medida anula benefícios previstos no acordo Mercosul-União Europeia e prejudica exportadores que cumprem rigorosos padrões sanitários. O veto europeu foi motivado por casos atípicos de encefalopatia espongiforme bovina (EEB) detectados no país, embora o Brasil mantenha classificação de risco insignificante junto à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

Pedido de ações diplomáticas e técnicas

A CNA solicita que o governo adote estratégias combinadas de negociação diplomática e esclarecimentos técnicos junto às autoridades europeias. O ofício destaca que os casos notificados foram comunicados de forma transparente e não representam risco à cadeia produtiva. Além disso, a confederação pede que sejam apresentadas evidências científicas que justifiquem a suspensão, uma vez que o Brasil atende integralmente aos requisitos internacionais de sanidade animal.

Contexto sanitário e conformidade do Brasil

Os casos atípicos de EEB registrados no Brasil não alteram o status sanitário do país perante a OMSA, que reconhece o território nacional como de risco insignificante para a doença. A CNA ressalta que o Brasil mantém programas de vigilância ativa e que todas as notificações seguiram os protocolos internacionais. A entidade considera a decisão europeia desproporcional e contrária aos compromissos assumidos no acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

Representantes do setor agropecuário acompanharam a movimentação da CNA e indicam que o bloqueio pode gerar perdas significativas para exportadores de carne bovina. O Ministério das Relações Exteriores ainda não se manifestou publicamente sobre o ofício, enquanto o Ministério da Agricultura e Pecuária avalia os próximos passos técnicos. A CNA reforça que a manutenção do diálogo é essencial para preservar a credibilidade do Brasil no mercado internacional de proteínas animais.

Conteúdos relacionados

Foto: Wenderson Araujo/Trilux
AgriculturaEnergiaInovação

Etanol avança em máquinas pesadas de colheita de cana no Brasil

O uso de etanol em máquinas pesadas para colheita e transporte de...

Foto: Divulgação
AgriculturaBrasilClima

Embrapa conecta agricultores e indígenas de 10 estados para salvar sementes tradicionais

Uma iniciativa coordenada pela Embrapa, com apoio de fundo internacional ligado à...

Rebanho de bois gordos em pastagem no Brasil, mercado pecuário
BoiCotaçõesPecuária

Arroba do boi gordo pode chegar a R$ 420 em novembro sem definição de cota chinesa para 2027

A arroba do boi gordo pode atingir R$ 420 na primeira quinzena...

Foto: Divulgação
AgriculturaClimaCotações

Cenoura despenca 16% nas Ceasas em setembro e outubro de 2026

As cotações da cenoura apresentaram desvalorização de 16% na média ponderada nas...