A importação de filé de tilápia do Vietnã cresceu 3,5 vezes entre janeiro e agosto de 2026, passando de 1.407 toneladas para 4.892 toneladas e provocando preocupação entre os produtores brasileiros. Associações de piscicultores de São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Mato Grosso enviaram ofício ao ministro da Pesca e Aquicultura, Édipo Araújo, pedindo medidas para conter o avanço do produto importado. O aumento coincide com a queda nas exportações brasileiras de tilápia para os Estados Unidos, que recuaram de 6.893 toneladas no primeiro semestre de 2025 para 2.778 toneladas no mesmo período de 2026.
Pedido de cota e fiscalização reforçada
As entidades Peixe SP, ACAq, Peixe MG, Aquamat e Abipesca solicitam a criação de uma cota de importação limitada a 5% do volume nacional, além de maior rigor nas inspeções fiscais e sanitárias. A medida visa proteger especialmente os pequenos e médios produtores, que enfrentam dificuldades para competir com preços considerados predatórios. O setor registrou forte expansão nos últimos anos, mas as associações alertam para o risco de perda de empregos e renda caso a entrada de produto subsidiado continue sem controle.
Riscos para a piscicultura nacional
Marilsa Patrício Fernandes, secretária executiva da Peixe SP, destacou que a tilápia foi a proteína animal de maior crescimento recente no país, porém está ameaçada por importações desiguais. Ela comparou a situação ao setor de leite, que sofre com a entrada de produto subsidiado via Mercosul. As associações defendem que o Brasil, já líder em frango e relevante em suíno, pode ampliar sua posição na tilápia com proteção adequada contra concorrência desleal.
Essa importação é predatória e está tirando emprego e renda dos produtores brasileiros – especialmente os pequenos e médios. A piscicultura corre sério risco de colapso se não for tomada medida eficaz contra a importação.
Marilsa Patrício Fernandes
Nos últimos anos, a tilápia foi a proteína animal que mais cresceu em produção no país, mas está em risco. O Brasil tornou-se o maior produtor de frangos e um dos maiores de carne suína e tem tudo para assumir relevância ainda maior na tilápia. Mas o setor precisa de proteção contra a importação predatória. Veja o caso do leite, que sofre tremendamente com a entrada de produto subsidiado via Mercosul.
Marilsa Patrício Fernandes
Próximos passos das entidades
As associações aguardam resposta do ministério e planejam acompanhar a evolução das importações nos próximos meses. O objetivo é garantir condições justas de mercado para que a piscicultura brasileira mantenha sua trajetória de crescimento sem comprometer a sustentabilidade dos produtores nacionais.