Após o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Yamandú Orsi, o Brasil avalia a possibilidade de utilizar parte da cota uruguaia para ampliar as exportações de carne bovina à China. A iniciativa surge em um momento de busca por maior participação no mercado chinês, mas o calendário e as condições logísticas indicam efeitos limitados ainda em 2026, com potencial mais relevante a partir de 2027.
Detalhes da negociação bilateral
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), por meio de seu presidente Roberto Perosa, acompanha as tratativas junto às autoridades chinesas. O analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, destaca que a autorização chinesa, prevista possivelmente para outubro de 2026, dependerá de aprovação formal para que o Brasil acesse parte da cota originalmente destinada ao Uruguai. Essa medida visa reforçar o volume exportado sem alterar imediatamente os acordos vigentes entre os países envolvidos.
Limitações logísticas para 2026
O transporte marítimo entre os portos brasileiros e chineses leva entre 45 e 60 dias, fator que reduz significativamente a janela disponível para aproveitamento da cota ainda neste ano. Mesmo com a possível liberação em outubro, os embarques teriam impacto restrito até o fim de 2026, concentrando os ganhos efetivos no exercício seguinte. A cota chinesa para 2027 está fixada em 1,128 milhão de toneladas, abrindo espaço para maior volume de carne bovina brasileira caso a negociação avance.
Perspectivas do setor exportador
Especialistas do setor observam que a estratégia pode fortalecer a posição do Brasil como fornecedor confiável para a China, desde que superadas as etapas burocráticas e logísticas. A Abiec continua monitorando os desdobramentos para orientar os exportadores sobre prazos e requisitos sanitários adicionais. O foco permanece na ampliação sustentável das vendas, respeitando os limites operacionais do comércio internacional de proteína animal.