A Ruiz Coffees, empresa sediada em São José do Rio Preto (SP), protocolou pedido de recuperação judicial em 8 de outubro de 2026 para reorganizar dívidas após perdas consecutivas nas lavouras. O processo envolve passivo total de R$ 1,6 bilhão, dos quais R$ 775 milhões estão sujeitos à reestruturação. A companhia comunicou a obtenção de proteção provisória em 20 de outubro de 2026, medida que busca garantir a continuidade das operações enquanto negocia com credores.
Principais credores e valores envolvidos
Entre os principais credores figuram a Caixa Econômica Federal, com R$ 130,8 milhões, a Vert Companhia Securitizadora, com R$ 109,3 milhões, e o Sicoob, com R$ 77,9 milhões. Esses valores integram contratos de financiamento realizados para sustentar a produção em 1,5 mil hectares de café e 1,1 mil hectares de cana-de-açúcar. A empresa atribui parte das dificuldades à necessidade de honrar compromissos firmados antes da recente valorização do café no mercado internacional.
Fatores climáticos que afetaram a produção
As perdas de produção entre 14% e 28% resultam de eventos climáticos adversos registrados nos últimos anos. Geadas em 2021, calor extremo durante a florada de 2023 e estiagem em 2024 reduziram a geração de caixa e comprometeram a capacidade de pagamento. A recuperação judicial surge como instrumento para preservar a atividade produtiva e permitir a renegociação das dívidas em condições viáveis.
O processo agora segue para análise judicial, etapa em que os credores serão convocados para apresentar suas propostas de pagamento. A empresa mantém o foco na reorganização financeira sem interrupção das atividades no campo.