A arroba do boi gordo pode atingir R$ 420 na primeira quinzena de novembro de 2026 caso o governo brasileiro não defina um mecanismo de gestão para a cota chinesa de 2027. O alerta partiu do coordenador da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, que destacou a combinação entre a corrida dos frigoríficos para preencher a cota e a demanda sazonal interna. Sem regras claras de distribuição, os exportadores antecipam compras para garantir a tarifa reduzida de 12% sobre 1,128 milhão de toneladas.
Corrida por cota antecipa pressão nos preços
Os frigoríficos intensificam as compras para ocupar o volume reservado à China antes que o governo estabeleça critérios de alocação. Essa movimentação encurta as escalas de abate e reduz a oferta no mercado doméstico. Como resultado, os preços da arroba reagem de forma rápida já nas próximas semanas.
Demanda interna reforça movimento de alta
Além das exportações, a entrada da massa salarial, o pagamento do décimo terceiro e as confraternizações de fim de ano aumentam o consumo de carne no Brasil. Esses fatores sazonais se somam à pressão externa e sustentam a tendência de valorização. Especialistas avaliam que o cenário de curto prazo permanece favorável aos produtores.
Acredito que a arroba possa chegar a R$ 420 na primeira quinzena de novembro, apoiada pelo retorno da China às compras para preenchimento da cota de 2027, pela entrada da massa salarial, pelo pagamento do décimo terceiro e pelas confraternizações de fim de ano. Esse cenário, porém, considera que o governo brasileiro não anuncie uma medida de gestão da cota de exportação para a China.
Fernando Iglesias
No médio e longo prazo, as decisões do governo Lula podem gerar desafios adicionais ao agronegócio brasileiro, segundo Iglesias. Até o fim do ano, contudo, os preços da arroba devem manter a trajetória atual sem mudanças abruptas. O mercado observa atentamente as próximas definições sobre a cota chinesa.