Economia

Acordo EUA-UE: uma ameaça silenciosa ao agronegócio brasileiro

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No último domingo, os Estados Unidos e a União Europeia anunciaram um acordo comercial histórico que evita o aumento de tarifas e fortalece a cooperação entre os dois maiores blocos econômicos do mundo. Celebrado como uma vitória estratégica por ambas as partes, o pacto acende um sinal de alerta no Brasil, especialmente no setor agroexportador. Como maior potência agrícola do hemisfério sul, o país não é parte direta do tratado, mas pode sofrer impactos significativos, perdendo espaço em mercados globais e enfrentando maior concorrência.

Um dos principais riscos é o desvio de comércio, onde produtos agrícolas americanos, como milho, soja e carnes, ganham acesso facilitado ao mercado europeu com tarifas reduzidas e menos burocracia. Isso ameaça diretamente as exportações brasileiras, que competem nos mesmos itens. Por exemplo, se o milho dos EUA chegar mais barato à Europa, o produto brasileiro pode ser preterido por questões logísticas ou regulatórias, intensificando a disputa por cotas e mercados.

Além disso, o acordo promove o alinhamento regulatório em áreas ambientais e sanitárias, o que pode impor barreiras ao Brasil. A União Europeia já exige “desmatamento zero” de fornecedores, e se os EUA adotarem padrões semelhantes, os produtores brasileiros precisarão comprovar práticas sustentáveis e rastreabilidade para não serem excluídos. Isso se soma à possível queda nos preços internacionais de commodities, como soja e carne, devido ao aumento da oferta global, afetando as receitas dos agricultores brasileiros que já lidam com custos elevados.

Para mitigar esses efeitos, o Brasil precisa acelerar a ratificação do acordo Mercosul-UE, paralisado por questões ambientais, e buscar novos pactos bilaterais. Investir em certificações de sustentabilidade e na agregação de valor aos produtos, como itens processados, é essencial para diversificar exportações e reduzir a dependência da China. Sem adaptações rápidas, o país corre o risco de isolamento nas cadeias globais de valor, exigindo ação urgente do governo e do setor agro.

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