O agronegócio brasileiro enfrenta alerta significativo em outubro de 2026 devido à combinação de diesel caro, fertilizantes pressionados e instabilidade no abastecimento mundial, o que representa riscos para a rentabilidade agrícola, o abastecimento e os preços dos alimentos na safra 2026/27. Produtores de grãos em regiões como Mato Grosso e Goiás acompanham de perto os efeitos dos conflitos no Oriente Médio, que interrompem o fornecimento de petróleo e derivados. Relatórios da Agência Internacional de Energia e da FAO, divulgados entre setembro e outubro, reforçam a preocupação com a dependência brasileira de importações, que chega a 85% dos fertilizantes. A Conab divulgou estimativa de produção em 15 de outubro, enquanto a ANP monitora os preços do diesel registrados entre 11 e 17 de outubro.
Aumento nos custos de diesel e fertilizantes
Conflitos no Oriente Médio e interrupções na produção e transporte de derivados de petróleo elevam os custos de diesel, essencial para máquinas, transporte e logística no campo. A alta de energia e de matérias-primas como ureia e amônia também pressiona os fertilizantes, impactando toda a cadeia agrícola brasileira. Produtores relatam dificuldade para manter margens de rentabilidade diante do cenário de instabilidade global, que afeta diretamente o plantio da safra 2026/27.
Projeções e efeitos na produção agrícola
A Agência Internacional de Energia e o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola destacam que as restrições no mercado global de diesel e fertilizantes podem prolongar os efeitos sobre os alimentos. Álvaro Lario, presidente do Fida, avalia que a situação exige atenção especial às populações de baixa renda. A FAO acompanha o movimento dos preços, que já demonstram pressão acumulada desde o terceiro trimestre.
os preços agrícolas mundiais subiram 13% no terceiro trimestre de 2026. Lario avalia que os efeitos acumulados dos custos energéticos poderão continuar pressionando os alimentos pelos próximos seis a nove meses, com consequências especialmente graves para populações de baixa renda.
Álvaro Lario
Especialistas da Conab e da ANP indicam que o Brasil precisa diversificar fontes de suprimento para mitigar riscos futuros. O uso intensivo de diesel no agronegócio amplia a vulnerabilidade diante de oscilações internacionais. As autoridades acompanham a evolução dos preços para orientar medidas que preservem o abastecimento interno na safra 2026/27.