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Agronegócio brasileiro registra queda de 37,8% no crédito rural e inadimplência de R$ 48 bi em 2026

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O agronegócio brasileiro atravessa uma fase crítica na safra 2026/27, com redução de 37,8% nos desembolsos de crédito rural nos primeiros dois meses e inadimplência que já soma R$ 48 bilhões. A combinação de perdas climáticas, juros acima de 18% e diminuição do seguro rural elevou em 66% as recuperações judiciais de produtores, segundo dados do Banco Central e relatos de lideranças do setor. O Rio Grande do Sul e outras regiões produtoras concentram os impactos mais severos.

Queda nos financiamentos intensifica dificuldades no campo

A redução de 53,8% nos recursos para investimento agrava a situação de quem precisa renovar equipamentos ou expandir áreas. Instituições financeiras restringem a oferta diante do risco crescente, empurrando parte dos produtores para alternativas informais de crédito. A senadora Tereza Cristina alertou que o produtor sem acesso formal acaba recorrendo a fontes mais caras e instáveis.

O agro vive uma tempestade perfeita, ela chegou. Tivemos secas e enchentes no Rio Grande do Sul, seca em vários lugares do Brasil; temos uma taxa de juros de 15% e o que chega para o produtor agropecuário é mais de 18% ou 20%

Tereza Cristina

Além disso, a queda nos preços das commodities e as oscilações cambiais reduzem a margem de lucro, tornando qualquer novo financiamento ainda mais arriscado para quem já enfrenta dívidas acumuladas.

Recuperações judiciais e juros elevados pressionam o setor

O advogado Túlio Parca destacou que muitos produtores trabalham apenas para pagar juros, o que inviabiliza a atividade no longo prazo. O custo do dinheiro elevado, somado à redução do seguro rural, deixa o setor mais exposto a eventos climáticos extremos. O governo federal e o Banco Central são cobrados por medidas mais ágeis de apoio.

O produtor rural continua fazendo sua parte dentro da porteira. O que mudou foi o ambiente econômico. Hoje, muitos trabalham apenas para pagar juros, e isso torna qualquer atividade inviável no longo prazo

Túlio Parca

Com a inadimplência registrada em julho de 2026, as instituições financeiras endurecem ainda mais os critérios de concessão, criando um ciclo que dificulta a recuperação dos produtores endividados.

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