Agricultura

ANP revela falhas graves em usina que causaram morte de trabalhador em 2020

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A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) identificou quatro falhas de gestão que resultaram na morte de um funcionário da Usina Lins durante uma operação de manutenção em 2020. Com base na investigação, a autarquia emitiu 11 recomendações para todo o setor de biocombustíveis e duas específicas para a companhia envolvida. Além disso, a ANP está avaliando as sanções a serem aplicadas à usina, destacando a necessidade de melhorias em protocolos de segurança.

O acidente ocorreu em 4 de outubro de 2020, quando o trabalhador realizava uma soldagem em uma tubulação de água sobre a dorna volante 1, um tanque no setor de fermentação usado para armazenar o produto após a fermentação e antes da destilação. Durante o procedimento, a dorna explodiu e colapsou, atingindo o funcionário que estava sobre o equipamento. Ele faleceu devido ao rompimento do teto, enquanto um segundo funcionário sofreu ferimentos leves.

De acordo com o relatório da ANP, as causas do acidente incluíram documentação insuficiente do projeto, falha na análise de risco do processo, erro na classificação de área da dorna e problemas na liberação de trabalho. A agência apontou que a dorna volante 1 estava eletricamente carregada, o que contribuiu para a gravidade da ocorrência. Outro fator foi a realização da solda em uma região com riscos de explosão pouco conhecidos, pois o equipamento não havia sido identificado como área classificada.

A ANP também destacou a ausência de orientação clara sobre o local ideal para aterramento da máquina no documento de liberação de trabalho, além de falhas no projeto do equipamento que não previam a formação de eletricidade estática. Na época, a Usina Lins pertencia ao grupo da Usina Batatais, controlado pelos irmãos Bernardo e Lourenço Biagi. As usinas foram separadas em 2019, com Lourenço ficando com a Usina Lins e Bernardo com a Usina Batatais.

O acidente foi comunicado à ANP no dia seguinte, 5 de outubro de 2020. A produção da usina ficou paralisada por dois dias para a realização da perícia e foi retomada progressivamente. Segundo a agência, o incidente não afetou o abastecimento de etanol no país.

Em nota, a Usina Lins informou que não recebeu notificação oficial da ANP ou da Justiça sobre o acidente. A empresa afirmou ter tomado conhecimento da avaliação por meio de uma notícia no portal oficial do Governo Federal. A companhia reforçou que prestou apoio à família da vítima, colaborou com as autoridades e implementou medidas adicionais de segurança e governança.

A Usina Lins enfatizou seu compromisso com a legislação e afirmou que só poderá se manifestar técnica e juridicamente após ser oficialmente notificada e ter acesso integral ao relatório da ANP, invocando os princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal.

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