Pesquisadores da Rede Space Farming Brazil preparam o envio de duas bactérias utilizadas na soja brasileira para um voo suborbital que avaliará os impactos da microgravidade e da radiação sobre sua viabilidade. O experimento AEMM, coordenado pela Embrapa com apoio de instituições como AEB, UFABC, INPE e Esalq/USP, utilizará amostras de Bradyrhizobium spp. e Azospirillum brasilense liofilizadas. O lançamento ocorrerá no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em Parnamirim, Rio Grande do Norte, por meio do foguete VS-30 V16 durante a Operação Potiguar 2.
Preparação e tecnologia do experimento
As bactérias serão acondicionadas em tubos equipados com biossensores de grafeno e dosímetros para monitorar condições durante o voo. Após o retorno, as amostras recuperadas no oceano serão comparadas com controles mantidos em solo para identificar alterações na sobrevivência e nas respostas biológicas. Essa abordagem permite avaliar com precisão os efeitos do ambiente espacial sem necessidade de missão tripulada.
Objetivos para a agricultura espacial
O estudo representa etapa inicial para desenvolver sistemas de produção de alimentos em missões de longa duração. Ao investigar como microrganismos respondem à microgravidade e à radiação, a pesquisa contribui para o avanço da agricultura espacial e para possíveis aplicações em ambientes controlados na Terra. Os resultados poderão orientar estratégias de cultivo em futuras estações orbitais ou em viagens interplanetárias.
Instituições envolvidas e relevância nacional
A iniciativa reúne expertise de centros como o CTI Renato Archer e o Instituto de Estudos Avançados, fortalecendo a cooperação entre Embrapa e o setor aeroespacial brasileiro. O projeto reforça o papel do país no desenvolvimento de tecnologias para exploração espacial sustentável. Com foco em microrganismos já aplicados na agricultura nacional, o experimento une conhecimento agronômico a desafios do espaço.