Agricultura

Banco do Brasil reporta queda de 19% em financiamentos para o agronegócio na safra atual

84

O Banco do Brasil divulgou que já desembolsou cerca de R$ 85 bilhões em financiamentos para o agronegócio na safra 2025/26, que se iniciou em 1º de julho e prosseguirá até 30 de junho de 2026. Esse montante abrange operações de crédito rural, títulos agrícolas como Cédulas de Produto Rural (CPRs), crédito agroindustrial e recursos para giro na cadeia de valor do agro, além de renegociações de dívidas rurais, registrados de julho a novembro. Comparado ao mesmo período da safra anterior, quando foram liberados R$ 105 bilhões, o valor representa uma redução significativa, conforme apresentado pelo vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do banco, Gilson Bittencourt.

Focando apenas nas operações de crédito rural, o banco registrou R$ 78,3 bilhões desembolsados no acumulado da safra atual, contra R$ 96 bilhões no ciclo anterior, o que indica uma retração na contratação por produtores rurais. Apesar dessa diminuição inicial, o Banco do Brasil projeta um equilíbrio maior nos desembolsos até o final da safra, em julho de 2026. A instituição planeja ofertar um total de R$ 230 bilhões em financiamentos para o setor, valor 2% superior ao desembolsado na safra 2024/25.

De acordo com Bittencourt, a expectativa é que, até o fim deste mês, o banco atinja o limite de várias linhas de crédito rural, o que demandará remanejamentos entre elas. Do total ofertado, R$ 106 bilhões serão direcionados à agricultura empresarial, incluindo grandes produtores, cooperativas e agroindústrias, enquanto R$ 54 bilhões atenderão à agricultura familiar e médios produtores. Outros R$ 70 bilhões serão alocados para negócios na cadeia de valor do agro.

No segmento da agricultura familiar, os desembolsos de crédito rural estão alinhados às projeções, e o Pronamp mantém níveis próximos aos da safra anterior. Bittencourt afirmou que, na média geral, o banco deve cumprir as metas do Plano Safra com taxas controladas. Já na agricultura empresarial, observa-se uma retração de 35% a 40% no apetite por novos investimentos, atribuída à combinação de juros elevados e rentabilidade próxima a patamares históricos. Ele comentou que este é um momento propício para produtores bem posicionados reorganizarem o fluxo de caixa, postergando investimentos na expectativa de queda da Selic.

O custeio para a agricultura empresarial também apresenta demanda menor em comparação à safra anterior, com redução na procura por crédito a taxas livres. Quanto ao desenvolvimento da safra, o Banco do Brasil monitora possíveis impactos do fenômeno La Niña, mas avalia a situação como positiva no geral. Bittencourt observou que as expectativas de produção, segundo o IBGE e a Conab, indicam estabilidade, com grande parte das lavouras já plantadas e sem redução expressiva de área.

Em relação aos preços, o banco nota um retorno das cotações dos principais produtos agrícolas a níveis históricos, o que afeta a rentabilidade dos produtores. Áreas com alto custo de produção tornam-se mais desafiadoras nesse cenário. O executivo antecipou que, em poucas semanas, será possível avaliar se houve redução no pacote tecnológico, potencialmente impactando a produtividade, embora a expectativa seja de que isso não ocorra de forma significativa.

Conteúdos relacionados

Foto: RastreIA
AgriculturaBrasilInovação

Pesquisa brasileira cria impressão digital química da madeira para combater desmatamento ilegal na Amazônia

Uma pesquisa conduzida por instituições brasileiras desenvolve ferramentas analíticas baseadas em assinaturas...

Morango cravejado em São José do Rio Preto (SP) — Foto: TV TEM/Reprodução
AgriculturaClimaEconomia

Morango cravejado eleva demanda e chuvas fazem preço subir até 177%

O sucesso da sobremesa morango cravejado elevou a procura pela fruta em...

Foto: Divulgação
AgriculturaEconomia

Agrolend planeja dobrar carteira de crédito e lançar antecipação em dólar até o fim de 2026

A Agrolend anunciou planos ambiciosos para expandir suas operações no setor financeiro...

Abelhas sem ferrão são responsáveis por mais de 80% da polinização de flores e frutos em toda a natureza. — Foto: Érico Andrade
AgriculturaPecuária

Manual do RS Biodiversidade orienta divisão de enxames de abelhas sem ferrão

Um manual elaborado pelo Projeto RS Biodiversidade do Rio Grande do Sul...