O Brasil obteve autorização do Uruguai para utilizar parte do excedente de sua cota de exportação de carne bovina para a China, conforme anunciado durante a semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU em Nova York. A medida foi comunicada após reunião bilateral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente uruguaio Yamandú Orsi no dia 21 de setembro de 2026. A operação, porém, permanece condicionada à aprovação final das autoridades chinesas para redistribuição das cotas.
Contexto das cotas de exportação
O Brasil já atingiu 100% de sua cota anual de 1,106 milhão de toneladas até junho de 2026, o que limita novos embarques sem o pagamento de tarifas adicionais. A autorização uruguaia permite o uso temporário do excedente daquele país para o ano corrente. Frigoríficos exportadores brasileiros acompanham os desdobramentos, pois a iniciativa pode ampliar o fluxo de vendas sem alterar as regras tarifárias vigentes.
Autoridades chinesas mantêm a gestão integral das cotas, conforme histórico de negociações anteriores. O analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, observou que tentativas prévias de flexibilização por parte do Brasil não obtiveram resposta positiva.
Agradeci a autorização concedida ao Brasil para uso do excedente da cota uruguaia de exportação de carne bovina para a China
Luiz Inácio Lula da Silva
Próximos passos e limitações
A redistribuição do excedente uruguaio ainda exige confirmação formal de Pequim antes de qualquer embarque adicional. Especialistas do setor destacam que a decisão chinesa é soberana e não pode ser antecipada por acordos bilaterais entre Brasil e Uruguai. O tema foi tratado de forma técnica durante os encontros em Nova York, sem alteração nas metas anuais definidas.
Frigoríficos brasileiros mantêm operações dentro dos limites atuais enquanto aguardam posicionamento oficial. A situação reflete a dependência do mercado chinês para o escoamento da produção nacional de carne bovina em 2026.