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Brasil dribla barreiras comerciais e bate recorde em exportações de carne bovina

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O Brasil está prestes a registrar o maior volume mensal de exportações de carne bovina em setembro, com 294,7 mil toneladas embarcadas até a quarta semana do mês. Esse número representa um recorde na série histórica, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Apesar das tarifas impostas pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump e da ausência de acesso direto ao mercado dos Estados Unidos, o país tem ampliado suas vendas internacionais.

Lygia Pimentel, diretora da Agrifatto, destaca que esse desempenho consolida o Brasil como o fornecedor de carne bovina mais competitivo do mundo. Segundo ela, os preços brasileiros são 24% mais baixos que a média global. “O país está exportando muito porque possui a carne mais barata do mundo. Essa competitividade tem sustentado as vendas apesar das barreiras comerciais”, explica Pimentel.

A analista enfatiza a capacidade do Brasil de diversificar mercados e manter relevância no comércio internacional, mesmo sem exportações diretas para os Estados Unidos. Essa estratégia tem permitido que o país supere obstáculos tarifários e explore novas oportunidades globais.

Pimentel chama atenção para o papel do Brasil em uma arbitragem global da carne bovina, também conhecida como triangulação. Nessa prática, países menos afetados pelas tarifas utilizam a carne brasileira para abastecer seus mercados internos, liberando assim sua produção local para exportação aos Estados Unidos. Essa movimentação não viola acordos comerciais vigentes.

Um exemplo é o Paraguai, onde as exportações de carne bovina do Brasil aumentaram 55% no acumulado de 2025 em comparação ao mesmo período de 2024. Entre julho e agosto, o volume saltou para 178%. “Na prática, o Paraguai pode comprar carne brasileira para consumo doméstico e exportar a sua própria carne para os Estados Unidos, aproveitando os bons preços do Brasil para não reduzir o estoque interno”, detalha Pimentel.

Essa dinâmica tem fortalecido o fluxo global de exportações e garantido o escoamento do produto brasileiro, segundo a diretora da Agrifatto. Ela afirma que se trata de uma enorme oportunidade para os pecuaristas e o mercado nacional como um todo.

O bom momento das exportações ocorre em meio a uma oferta recorde de animais para abate, resultante da fase de liquidação de fêmeas no ciclo pecuário. Embora esse aumento de disponibilidade pudesse pressionar os preços pagos aos produtores, a demanda global tem atuado como uma válvula de escape.

“Não fosse a demanda externa aquecida e os baixos preços brasileiros, seria mais difícil escoar esse excedente. A arbitragem tem sido uma oportunidade importante para equilibrar o mercado durante esse período de oferta abundante”, conclui Pimentel.

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