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China impõe tarifas elevadas e restringe exportações brasileiras de carne bovina

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A China confirmou nesta quarta-feira a imposição de uma tarifa adicional de 55% sobre importações de carne bovina que excedam uma cota estabelecida, o que inviabiliza as exportações extracota e impõe um limite de 1,1 milhão de toneladas aos embarques brasileiros. Essa medida, que entra em vigor a partir de 1º de janeiro de 2026, surge após uma investigação sobre os impactos das importações na produção local chinesa. Em 2024, o Brasil exportou 1,7 milhão de toneladas para o gigante asiático, representando 55% do total de suas exportações de carne bovina in natura.

Diante da relevância do mercado chinês para o setor brasileiro, entidades como a Abiec e a CNA alertaram para a necessidade de ajustes em toda a cadeia produtiva, da produção à exportação, para mitigar impactos mais amplos. A Abrafrigo estima que a salvaguarda pode resultar em uma perda de até US$ 3 bilhões em receitas para o Brasil em 2026, representando um risco imediato ao equilíbrio da cadeia nacional.

As cotas totais concedidas pela China somam 2,7 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo das 2,9 milhões importadas em 2024. O Brasil recebe a maior fatia, com 1,106 milhão de toneladas em 2026, crescendo cerca de 2% nos anos subsequentes. Dentro da cota, a tarifa é de 12%, mas volumes excedentes enfrentam uma sobretaxa de 55%, totalizando 67%, o que torna as exportações inviáveis, segundo fontes da indústria.

Lygia Pimentel, diretora-executiva da Agrifatto, avalia que as exportações brasileiras ficarão limitadas a 1,1 milhão de toneladas anuais, forçando o país a diversificar parceiros comerciais. Ela destaca nações do sudeste asiático, como Vietnã, Filipinas e Indonésia, além do retorno dos Estados Unidos como importador sem tarifas, como alternativas para absorver o excedente.

Uma possibilidade de ampliação indireta envolve arbitragem com vizinhos sul-americanos. A Argentina, com cota de 510 mil toneladas, e o Uruguai, com 320 mil, receberam volumes superiores às suas exportações recentes para a China, permitindo que frigoríficos brasileiros enviem carne para esses países, que então a reexportam. Empresas como Minerva e MBRF, com operações nesses mercados, devem se beneficiar.

Apesar dos desafios, Pimentel prevê que o Brasil precise encontrar destinos para pelo menos 200 mil toneladas adicionais, condicionado à competitividade do produto. A expectativa de uma menor produção de carne em 2026 deve ajudar a equilibrar o mercado, mantendo as exportações fortalecidas por meio de um mix diversificado de compradores.

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