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Cientista brasileira conquista o ‘Nobel da Agricultura’ por avanços em bioinsumos

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A pesquisadora da Embrapa Soja Mariangela Hungria foi laureada com o Prêmio Mundial de Alimentação de 2025, conhecido como o “Nobel da Agricultura”. A premiação reconhece suas contribuições para o desenvolvimento de insumos biológicos na agricultura brasileira. A cerimônia de entrega ocorrerá em 23 de outubro, às 21h (horário de Brasília), no Capitólio de Iowa, em Des Moines, nos Estados Unidos, e poderá ser acompanhada pelo site da Fundação World Food Prize.

Mariangela Hungria expressou emoção ao receber o prêmio, destacando que ele pertence também a colegas, alunos e à Embrapa, instituição pública que investiu em suas pesquisas por quatro décadas. Ela enfatizou o papel dos bioinsumos na liderança mundial do Brasil nessa área, alinhando-se a demandas globais por produção sustentável de alimentos, com redução de poluição e emissões de gases de efeito estufa. A cientista defende conceitos como “Saúde Única”, “Governança Ambiental, Social e Corporativa” e agricultura regenerativa, visando produzir mais com menos recursos e impacto ambiental.

O chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno, celebrou a honra de ter Mariangela na equipe, ressaltando o Brasil como referência em sustentabilidade agrícola graças aos bioinsumos. A presidente da Embrapa, Silvia Masshurá, destacou o orgulho de uma mulher brasileira receber o prêmio, reforçando o compromisso da pesquisa pública com a inovação e inspirando outras mulheres na ciência.

Ao longo de mais de 40 anos, Mariangela desenvolveu inovações em microbiologia do solo, lançando mais de 30 tecnologias. Seu foco é substituir fertilizantes químicos por microrganismos que promovem fixação biológica de nitrogênio, síntese de fitormônios e solubilização de fosfatos. Ela comprovou que a inoculação anual de soja com Bradyrhizobium aumenta a produção em 8%, sem fertilizantes nitrogenados, prática adotada em 85% da área cultivada.

Outra contribuição é a coinoculação da soja com Bradyrhizobium e Azospirillum brasilense, usada em 35% da área. Em 2024, essas tecnologias economizaram 25 bilhões de dólares em fertilizantes e mitigaram 230 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Mariangela também liderou avanços para feijoeiro, milho, trigo e pastagens, incluindo redução de 25% na fertilização nitrogenada em milho.

O Prêmio Mundial de Alimentação foi criado em 1986 por Norman E. Borlaug, vencedor do Nobel da Paz em 1970. Três brasileiros já foram agraciados: Edson Lobato e Alysson Paulinelli em 2006, e Luiz Inácio Lula da Silva em 2011, junto com John Kufuor.

Nascida em 1958, Mariangela formou-se em Engenharia Agronômica pela Esalq/USP, com mestrado e doutorado em solos. Influenciada por Johanna Döbereiner, ingressou na Embrapa em 1982. Com mais de 500 publicações e orientações a 200 alunos, ela é membro de academias científicas e está entre os cientistas mais influentes do mundo, segundo rankings como o da Universidade de Stanford e Research.com.

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