O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou na terça-feira, 14 de julho de 2026, a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. A medida, que passa a valer a partir de 1º de agosto por um período inicial de 180 dias, busca reduzir a exposição do Brasil à volatilidade do petróleo internacional e às tensões no Oriente Médio. Produtores de Mato Grosso já projetam aumento significativo na demanda pelo biocombustível.
Efeitos esperados no consumo
Estimativas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicam que a mudança para o E32 pode gerar demanda adicional de cerca de 409 mil metros cúbicos de etanol anidro até o fim do ano. Em ciclo completo, o acréscimo chegaria próximo a 1 milhão de metros cúbicos. O resultado, porém, depende diretamente do comportamento do consumo de gasolina no período.
Em um ciclo completo, o E32 representa uma demanda adicional próxima de 1 milhão de metros cúbicos de etanol anidro. Neste ano, como a mudança começa em agosto, projetamos um acréscimo de cerca de 409 mil metros cúbicos. Esse resultado, no entanto, está diretamente relacionado ao comportamento do consumo de gasolina
Rodrigo Silva
Reação do setor em Mato Grosso
A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e o Imea destacam que a decisão traz maior previsibilidade para investimentos na cadeia produtiva. O aumento da mistura fortalece a produção local e cria mercado adicional para o milho, gerando efeitos em cascata ao longo da cadeia. Especialistas ressaltam que o Brasil ainda depende de combustíveis fósseis importados e que ampliar o espaço do etanol contribui para a sustentabilidade dos projetos já em andamento.
Esse é um anúncio extremamente importante e aguardado pelo mercado. O aumento da mistura dá maior segurança para a produção e para a continuidade desse movimento de ampliação da oferta de etanol, não apenas em Mato Grosso, mas no Brasil
Cleiton Gauer
Além da segurança energética, o etanol abre perspectivas para novos usos, como na descarbonização do transporte marítimo e da aviação. Quando há demanda estruturada e preços atrativos, os produtores respondem com ampliação da oferta, consolidando Mato Grosso como polo estratégico nesse segmento.