Pesquisadores da University College London e de outras instituições alertam para o risco de redução na oferta global de enxofre nas próximas décadas, impulsionado pela diminuição da produção e do processamento de combustíveis fósseis, principal fonte do elemento usado na fabricação de fertilizantes. A transição energética, ao limitar a extração desses recursos, ameaça criar um déficit anual de 100 a 320 milhões de toneladas de ácido sulfúrico até 2040, enquanto a demanda agrícola e mineral continua em expansão.
Riscos para a produção de fertilizantes
O enxofre é recuperado principalmente como subproduto da dessulfurização de petróleo e gás natural. Com o avanço da descarbonização, essa fonte se reduz de forma acelerada, ao mesmo tempo em que cresce a necessidade de fertilizantes sulfurados para manter a produtividade agrícola. Produtores de todo o mundo enfrentam incertezas sobre a disponibilidade do insumo, o que pode elevar custos e afetar cadeias de suprimento.
Desafios no comércio internacional
A concentração do fluxo comercial agrava a vulnerabilidade do mercado. Cerca de 47% do enxofre comercializado globalmente passa pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica que liga produtores do Oriente Médio a importadores em diferentes continentes. Qualquer instabilidade nessa região pode intensificar problemas de abastecimento já previstos para as próximas décadas.
aproximadamente 47% do enxofre comercializado globalmente passa pelo Estreito de Ormuz
Ahmed El-Hoshy
Países importadores, como o Brasil, sentem os efeitos com maior intensidade, especialmente em solos do Cerrado que demandam correção constante com fertilizantes. Mineradoras também dependem do ácido sulfúrico para extrair minerais estratégicos, ampliando a pressão sobre a oferta. Especialistas recomendam diversificar fontes e investir em recuperação alternativa do elemento para mitigar os impactos.