O mercado do boi gordo registra pressão sobre os preços nas principais praças pecuárias do Brasil, com frigoríficos adotando postura cautelosa e ritmo reduzido nas exportações para a China após o esgotamento da cota de 1,1 milhão de toneladas em 2026. Ao longo da semana, as negociações permaneceram lentas, culminando em estabilidade com viés de baixa na sexta-feira (10/07/2026). Pecuaristas resistem a vender, enquanto a oferta de animais de confinamento aumenta em função da necessidade de giro.
Pressão nos preços e escalas curtas
Frigoríficos pressionam os valores para baixo diante de escalas curtas e maior capacidade ociosa nas indústrias. Regiões como São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais refletem esse movimento, com consumo doméstico mais fraco contribuindo para o cenário. A qualidade das pastagens também influencia a decisão dos produtores de antecipar a oferta.
Perspectivas de recuperação no semestre
Consultorias como Safras & Mercado, Agrifatto e Scot Consultoria apontam que os contratos futuros da B3 ainda negociam com ágio, sinalizando possível ajuste positivo. Analistas Fernando Iglesias e Felipe Fabbri destacam que o segundo semestre de 2026, especialmente o último trimestre, pode trazer recuperação gradual da demanda.
Impacto do esgotamento da cota chinesa
O esgotamento da cota chinesa de importação representa o principal fator de ajuste no curto prazo. Com menor ritmo de embarques, o mercado interno absorve maior volume de animais, ampliando a oferta disponível. A expectativa é de que a normalização das exportações ocorra apenas após nova liberação de volumes.