Após um recorde de exportações em 2025, o mercado brasileiro de amendoim enfrenta queda nas cotações internacionais e redução da área plantada na safra 2025/26, ao mesmo tempo em que produtores e empresas investem em características de qualidade como o teor de ácido oleico para atender exigências dos compradores externos.
Volume cresce, mas receita avança pouco
Os embarques de amendoim brasileiro aumentaram 37,3% em 2025 e atingiram 311,5 mil toneladas, com destino a 86 países, entre eles Rússia, China, Argélia e Países Baixos. A receita, no entanto, subiu apenas 1,9%, para US$ 366,9 milhões, porque o preço médio por tonelada caiu de US$ 1.636,75 para US$ 1.317,3. Cerca de 80% da produção nacional concentra-se em São Paulo, onde a área cultivada na safra 2025/26 deve recuar 8,7% e a produção 2,8%.
Produtores de São Paulo relatam que a pressão sobre os preços e as especificações técnicas mais rigorosas dos mercados importadores exigem atenção redobrada à qualidade. O controle de aflatoxinas e a busca por maior estabilidade oxidativa tornaram-se critérios centrais nas negociações.
Análise de sementes ganha destaque com tecnologia
A startup FIT, em parceria com a Embrapa Instrumentação, aplica ressonância magnética nuclear para avaliar o teor de ácido oleico nas sementes antes do plantio. A ferramenta permite que o produtor escolha variedades alinhadas às demandas de cada mercado e tome decisões mais precisas desde o início do ciclo.
O ponto central não é apenas analisar a semente, mas gerar uma informação que possa ser utilizada antes do plantio. Quanto mais cedo o produtor conhece as características do material que vai levar para o campo, maior é sua capacidade de tomar decisões alinhadas ao mercado
Daniel Consalter
Daniel Consalter, CEO da FIT, destaca que a combinação de preços pressionados, exigências crescentes dos compradores e expansão das exportações evidencia a importância de tecnologias sofisticadas de análise. Para o amendoim brasileiro, essa capacidade de definir o produto conforme o destino pode representar uma das principais fronteiras de competitividade nos próximos anos.