Pesquisadores da Embrapa Instrumentação e da Universidade Federal de São Carlos desenvolveram uma tecnologia inovadora que integra fertilizante mineral e o fungo Trichoderma harzianum em uma única formulação. O método utiliza um revestimento biodegradável de carboximetilcelulose reforçado com nanocristais de celulose aplicado aos grânulos de fertilizante MAP. O estudo foi publicado em fevereiro de 2026 e apresentado em junho do mesmo ano no Congresso Europeu de Biotecnologia em Antuérpia, Bélgica. A solução busca superar incompatibilidades entre microrganismos e produtos químicos, aumentando a eficácia no campo.
Desafios na compatibilidade do fungo
O Trichoderma harzianum é amplamente reconhecido por combater fitopatógenos, estimular o crescimento das plantas e melhorar a absorção de nutrientes. No entanto, os esporos do fungo são extremamente frágeis e morrem rapidamente quando expostos ao sol ou em contato direto com fertilizantes químicos potentes. As pesquisadoras Cristiane Sanchez Farinas, Aline Medeiro Ferreira e Mariana Govoni Brondi criaram uma matriz polimérica que protege os microrganismos durante o armazenamento e permite liberação gradual no solo.
É um fungo amplamente utilizado como agente de biocontrole, capaz de combater fitopatógenos, estimular o crescimento das plantas e aumentar a absorção de nutrientes.
Aline Ferreira
Estrutura do revestimento biodegradável
A formulação emprega carboximetilcelulose reforçada com nanocristais de celulose para formar um filme resistente que envolve os esporos. Diferentemente de sistemas tradicionais, o material libera o fungo de forma contínua, evitando o choque imediato com o fertilizante e elevando as taxas de sobrevivência. Essa abordagem reduz desperdícios, custos operacionais e emissões de gases de efeito estufa associadas à aplicação excessiva de insumos.
Eles são extremamente frágeis. Fora do seu ambiente ideal, morrem rapidamente sob o sol ou em contato com fertilizantes químicos potentes.
Cristiane Farinas
Essa estrutura forma um filme resistente e biodegradável que envolve os esporos do fungo, protegendo-os contra condições adversas. Diferentemente de sistemas tradicionais, que liberam rapidamente o conteúdo, o novo material garante que o fungo seja disponibilizado de forma contínua no solo.
Aline Ferreira
Além de proteger o microrganismo, a liberação gradual melhora a interação com o solo e potencializa os benefícios do fertilizante MAP. Os testes indicam maior viabilidade do fungo em condições reais de campo, abrindo caminho para aplicações mais sustentáveis na agricultura brasileira.
Além disso, a liberação gradual evita o choque direto com o fertilizante, aumentando ainda mais a taxa de sobrevivência.
Mariana Govoni Brondi