Leite

Luz vermelha nos galpões: a inovação que impulsiona a produção leiteira no Brasil

106

Diferente do que muitos produtores de leite imaginam, a luz vermelha nos galpões das vacas não se limita ao conforto visual, mas regula o ritmo circadiano, sincronizando funções hormonais, metabólicas e imunológicas dos animais. Estudos científicos e experiências em fazendas leiteiras indicam que essa estratégia, adotada em sistemas intensivos na Europa e nos Estados Unidos, impacta diretamente a fisiologia, a saúde metabólica e o desempenho produtivo na lactação seguinte. No Brasil, o método ganha espaço ao combinar bem-estar animal com manejo inteligente e ganhos zootécnicos mensuráveis.

O ritmo circadiano é regulado pela glândula pineal, que controla a produção de melatonina, conhecida como o hormônio do escuro. Pesquisas de universidades norte-americanas e europeias, publicadas no Journal of Dairy Science, mostram que a luz branca e azul inibe a melatonina, mesmo em baixa intensidade, enquanto a luz vermelha preserva sua liberação. Isso permite que as vacas mantenham um estado fisiológico noturno durante manejos noturnos, reduzindo estresse e preservando funções metabólicas essenciais.

O período seco, de 45 a 60 dias antes do parto, é uma fase crítica para as vacas leiteiras, envolvendo regeneração do tecido mamário, adaptação metabólica, preparação imunológica e ajustes no metabolismo de cálcio e glicose. Falhas nesse manejo aumentam riscos de doenças pós-parto, como cetose, hipocalcemia e metrite. A manutenção da melatonina com luz vermelha melhora a sensibilidade à insulina, o metabolismo do cálcio e a resposta imunológica, reduzindo cortisol e incidências de distúrbios.

Os benefícios se refletem na lactação seguinte, com estudos mostrando incrementos de 4% a 8% no pico de produção inicial, maior persistência da lactação, menor descarte involuntário e melhor eficiência alimentar. Esses resultados destacam que o sucesso da lactação inicia no período seco, com a luz vermelha permitindo manejos noturnos sem interromper o repouso, evitando picos hormonais indesejados.

A tendência global de iluminação inteligente integra zootecnia de precisão e bem-estar animal, com adoção crescente no Brasil em fazendas de alta produção, sistemas confinados e propriedades focadas em longevidade. Especialistas notam que o investimento é baixo comparado aos custos de doenças metabólicas, reforçando que ajustes ambientais geram impactos significativos na produtividade e sustentabilidade do setor leiteiro.

Conteúdos relacionados

Foto Divulgação.
EconomiaLeiteMundo

Fonterra registra lucro de NZ$ 2,6 bilhões em 2026, alta de 142%

A Fonterra, maior cooperativa de laticínios da Nova Zelândia, registrou lucro líquido...

Foto: Rejane Costa/AgroEffective
EconomiaLeitePecuária

Importações de leite da Argentina e Uruguai pressionam laticínios gaúchos

A produção de leite no Rio Grande do Sul cresceu cerca de...

LeitePecuária

Yara Altafin deixa o jornalismo e conquista prêmios internacionais com queijos artesanais em Minas Gerais

Yara Altafin trocou a carreira de jornalista pela produção de queijos artesanais...

Foto: Marcelo Loureiro / Secom
AgriculturaLeitePecuária

Equipe técnica avalia carabaos gigantes para programa de melhoramento genético nas Filipinas

Uma equipe técnica inspecionou, em 15 de setembro de 2026, búfalos de...