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Produtores de maçã no Sul enfrentam escassez de mão de obra e culpam Bolsa Família pela crise na colheita

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Pomar de maçãs no Sul do Brasil com frutas maduras e cestos vazios, ilustrando escassez de mão de obra na colheita.

Produtores de maçã em Santa Catarina e Rio Grande do Sul enfrentam uma grave escassez de mão de obra durante a colheita de 2024, atribuindo o problema ao programa Bolsa Família, que estaria desestimulando trabalhadores a aceitar empregos temporários.

O impacto na colheita de maçã

A colheita de maçã, que atinge seu auge nesta época do ano e se estende até maio, está sendo prejudicada pela falta de trabalhadores sazonais. Em regiões como Fraiburgo, em Santa Catarina, frutas estão apodrecendo nos pomares devido à ausência de colhedores. Isso afeta toda a cadeia produtiva, incluindo embalagem e transporte.

Produtores relatam que muitos preferem manter os benefícios do Bolsa Família em vez de ingressar em trabalhos temporários. Como resultado, há uma necessidade de importar mão de obra de outras regiões, o que aumenta os custos operacionais.

Posição da associação de produtores

A Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), liderada por Pierre Nicolas Pérès, destaca a dificuldade em encontrar mão de obra. Pérès argumenta que o programa social, embora importante, precisa de ajustes para não prejudicar setores dependentes de empregos sazonais.

Estamos com dificuldade para encontrar mão de obra. Muitos preferem ficar recebendo o Bolsa Família em vez de trabalhar na colheita, que é um trabalho sazonal.

É um programa importante para combater a pobreza, mas precisa de ajustes para não prejudicar setores que dependem de mão de obra temporária.

Precisamos de uma política que integre o social com o produtivo.

Um produtor local de Fraiburgo, que preferiu anonimato, mencionou os desafios adicionais:

Estamos importando trabalhadores de outras regiões, como o Nordeste, mas isso encarece a operação.

Resposta do ministério

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) defende o Bolsa Família, afirmando que ele é compatível com o emprego formal e oferece incentivos para qualificação e inserção no mercado de trabalho.

O Bolsa Família é compatível com o emprego formal. Inclusive, há incentivos para que os beneficiários busquem qualificação e inserção no mercado de trabalho.

Apesar das críticas, o MDS enfatiza que o programa não exige contrapartidas como busca por emprego, o que, segundo produtores, contribui para a preferência pelos benefícios em detrimento dos salários sazonais, que seriam inferiores quando somados a outros auxílios.

Consequências para a cadeia produtiva

A falta de mão de obra não só causa perdas diretas nas safras, mas também eleva os custos com importação de trabalhadores de estados distantes, como o Nordeste. Isso impacta a competitividade dos produtores de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, principais polos de produção de maçã no Brasil.

Especialistas indicam que uma integração entre políticas sociais e necessidades produtivas poderia mitigar esses problemas, promovendo um equilíbrio entre combate à pobreza e demandas do setor agrícola.

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