Agricultura

Queda nos preços do arroz pressiona produtores no Rio Grande do Sul e sinaliza desafios para a safra futura

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As quedas de preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul ao longo de agosto têm pressionado as cotações nos elos superiores da cadeia produtiva, incluindo o arroz beneficiado e o varejo, conforme aponta levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Esse movimento reflete uma tendência de desvalorização que impacta diretamente a economia agrícola do estado, o maior produtor nacional do grão.

Sazonalmente, os valores do arroz tendem a se recuperar no segundo semestre, mas essa recuperação depende dos estoques disponíveis, que são influenciados pelas exportações. Entre 31 de julho e 29 de agosto, o Indicador do arroz em casca Cepea/Irga-RS registrou um recuo de 3,06%, destacando a persistência da pressão baixista no mercado.

Na parcial do ano, a queda acumulada chega a 31,5%, enquanto nos últimos 12 meses o declínio é de 41,8%. Esses números ilustram um cenário de desvalorização contínua, que afeta não apenas os produtores, mas toda a cadeia de suprimentos, com potenciais reflexos em políticas públicas voltadas para o setor agropecuário.

O movimento de queda prosseguiu em setembro. Nesta terça-feira, 2 de setembro, a cotação estava em R$ 66,77 por saca de 50 quilos, representando um recuo de 0,73% em apenas dois dias. Essa trajetória descendente tem gerado preocupações sobre a sustentabilidade econômica da produção de arroz no estado.

A influência desses preços mais baixos já se reflete nas decisões de semeadura dos produtores. Nesta semana, o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) anunciou que os orizicultores do Rio Grande do Sul deverão semear 920 mil hectares com a cultura na safra 2024/25, o que representa um recuo de 5,17% em relação aos 970 mil hectares plantados na temporada anterior.

Esse redução na área plantada pode sinalizar desafios maiores para a oferta nacional de arroz, afetando debates políticos sobre incentivos agrícolas e estratégias de exportação. Autoridades e entidades do setor acompanham de perto esses indicadores para avaliar possíveis intervenções.

Embora as exportações possam ajudar a equilibrar os estoques e impulsionar uma recuperação sazonal, a atual conjuntura de preços baixos destaca a vulnerabilidade do setor a flutuações de mercado, com implicações para a economia regional e nacional.

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