A raça zebuína Sardo Negro surgiu no México a partir de um touro Gir rejeitado por sua pelagem incomum, iniciando uma seleção genética que transformou a pecuária em regiões de clima quente. O animal, chamado El Reflejo, apresentou características de rusticidade e fertilidade que se mostraram estáveis em seus descendentes, motivando criadores a desenvolver uma linhagem adaptada ao trópico. O projeto começou na década de 1940 em Veracruz e ganhou impulso com a transferência para o Rancho El Rubí, em Tonalá, no estado de Chiapas.
Origem e seleção genética
O pecuarista Don Alfonso Gómez Huesca identificou o potencial do touro El Reflejo e iniciou o cruzamento controlado com o apoio dos pioneiros Don Amado Thomas, Don Clemente Maitret e Don Manuel Iturbe Villegas. A pelagem preta e branca, combinada com a capacidade de adaptação a altas temperaturas, foi transmitida de forma consistente às gerações seguintes. Essa base genética permitiu criar animais mais resistentes a doenças e com melhor desempenho reprodutivo em condições tropicais.
O trabalho de seleção prosseguiu por décadas, sempre priorizando a rusticidade e a fertilidade sem recorrer a cruzamentos externos. Os resultados apareceram gradualmente, consolidando um padrão racial reconhecido pela capacidade de produção em pastagens de baixa qualidade.
Reconhecimento oficial e expansão
Em janeiro de 1978, a raça Sardo Negro recebeu reconhecimento oficial, marcando o fim de um longo período de observação e validação. A partir de Chiapas, o material genético se espalhou por outras regiões mexicanas com clima similar, contribuindo para o fortalecimento da cadeia de carne e leite em áreas antes consideradas limitadas.
Hoje, a história do touro El Reflejo ilustra como uma característica inicialmente vista como defeito se tornou vantagem competitiva para a pecuária tropical. O desenvolvimento da Sardo Negro reforça a importância de programas de melhoramento genético focados em adaptação local e produtividade sustentável.