Agricultura

Safrinha recorde de milho impulsiona virada no agronegócio brasileiro

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A safrinha recorde de milho representa uma virada significativa no agronegócio brasileiro, superando o ciclo adverso enfrentado pelos produtores de grãos nos últimos dois anos. Com perspectivas de margens melhores, o setor começa a se recuperar, conforme análise de especialistas. Paulo Mesquita, sócio da Riza e gestor do Terrax — o maior fundo listado de terras do país, com mais de R$ 1,8 bilhão em patrimônio líquido e 90 mil hectares de fazendas —, destaca essa mudança positiva em meio a desafios recentes.

Mesquita observa que, até o meio do ano, os níveis de inadimplência ainda eram elevados, mas a partir daí houve uma acomodação. Em entrevista, ele enfatiza que a maioria do agro brasileiro permanece tranquila, apesar de ruídos sobre problemas na cadeia de grãos. Ele cita exemplos de produtores capitalizados, como um cliente que recentemente adquiriu uma fazenda por R$ 1 bilhão, ilustrando a solidez de parte do setor.

Para os produtores de soja, as oportunidades são promissoras na safra 2025/26, que inicia o plantio em setembro. Com gestão cuidadosa de riscos, incluindo mecanismos como a trava de preços no mercado futuro, é possível obter margens atrativas. Mesquita calcula que, em Tocantins, a soja pode ser fixada a R$ 120 por saca, gerando uma margem de 30% ao ano, o que reforça a visão otimista para o futuro próximo.

Apesar dos desafios, Mesquita minimiza a extensão dos problemas de inadimplência na cadeia de grãos, afirmando que eles foram pequenos em comparação ao alarde feito. Ele argumenta que o agronegócio como um todo não enfrenta uma crise generalizada, e muitos produtores mantêm estabilidade financeira, permitindo investimentos contínuos.

No entanto, a piora na carteira de crédito rural do Banco do Brasil é vista por Mesquita como um problema possivelmente auto infligido. Ele critica a postura inédita do banco, que negou limites de crédito a clientes de longa data sem histórico de inadimplência, o que considera uma estratégia suicida. Essa restrição, observada também em outros bancos devido a limitações às revendas, contribuiu para o aumento da inadimplência.

Mesquita aponta que, ao secar o crédito para a agricultura, as instituições financeiras do setor acabaram elevando os índices de inadimplência além do necessário. No caso específico do Banco do Brasil, principal financiador agrícola do país, há um agravante: o banco opera com garantias mais frágeis, como penhor de safra e hipotecas, tornando-o mais vulnerável a pedidos de recuperação judicial.

Essa dinâmica revela tensões no financiamento do agronegócio, com implicações para a estabilidade econômica do setor. A análise de Mesquita sugere que ajustes na política de crédito poderiam mitigar esses riscos, promovendo uma recuperação mais robusta.

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