Pesquisadores do Salk Institute, por meio da Harnessing Plants Initiative, avançam no desenvolvimento de plantas de soja geneticamente modificadas com sistemas radiculares maiores, mais profundos e ricos em suberina. O objetivo é permitir melhor exploração do solo, aumentar o armazenamento de carbono e elevar a tolerância à seca, com potencial aplicação no Brasil por meio de parcerias como as da Embrapa. Os experimentos entram em fase de campo após validação em 2026.
Iniciativa foca em genes e linhagens experimentais
A equipe identificou 347 genes candidatos e criou 38 linhagens experimentais em soja e outras culturas. Essas modificações visam retirar CO₂ da atmosfera e depositar carbono no solo de forma mais eficiente. O projeto combina engenharia genética com análises detalhadas para garantir que as novas variedades mantenham produtividade e resistência em condições reais de cultivo.
Inteligência artificial acelera análise de raízes
Para avaliar o desenvolvimento radicular, os cientistas utilizam sistemas de IA como ClearDepthIAS e algoritmos de deep learning voltados para nódulos. Essas ferramentas permitem medições rápidas e precisas em campo, reduzindo o tempo necessário para selecionar as linhagens mais promissoras. A tecnologia também ajuda a identificar plantas com maior capacidade de acessar água e nutrientes em camadas mais profundas durante períodos de veranico.
Benefícios adicionais para a agricultura brasileira
Além do armazenamento de carbono, as plantas modificadas oferecem vantagem prática ao manter o acesso a recursos hídricos e minerais em profundidade. No contexto brasileiro, essa característica pode reduzir perdas em safras afetadas por estiagens prolongadas. Pesquisadores destacam que a abordagem une metas ambientais globais com ganhos de resiliência para o produtor rural.