Agricultura

Tradição do babaçu no Maranhão: como uma cooperativa luta pela preservação cultural e econômica

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Nas estradas rurais de Imperatriz, a segunda maior cidade do Maranhão, as quebradeiras de coco babaçu mantêm viva uma tradição ancestral que une comunidades locais à planta nativa da região. Mulheres como Rosimar Pereira e Maria Célia Monteiro integram a Cooperativa dos Extrativistas e Agricultores Familiares da Estrada do Arroz (Coopeafe), criada para fortalecer essa atividade extrativista. O trabalho, embora árduo, representa não apenas uma fonte de renda, mas um símbolo cultural profundo, resistindo ao declínio geracional e às pressões econômicas modernas.

A Coopeafe, liderada por figuras como Mauriana Sobrinho, diretora financeira, e Bárbara Pereira da Silva, presidente, busca inovar para atrair jovens. Bárbara, filha de Zuleide, uma quebradeira desde os 13 anos, explica que a cooperativa introduziu ferramentas como um moinho para extração de amido, melhorando a produção na comunidade de Petrolina. Produtos tradicionais, como óleo para cozinhar e farinha do mesocarpo, agora se somam a itens como sabonetes, chaveiros e cestarias, incorporando elementos da agricultura amazônica, como o açaí.

O projeto Pindowa, iniciado em 2013 com financiamento inicial de R$ 125 mil do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), ganhou impulso com a chegada da Suzano, gigante do setor de papel e celulose. A empresa instalou uma fábrica em Imperatriz em 2015, após investimento de R$ 5,8 bilhões, e tem apoiado a cooperativa como parte de sua estratégia de sustentabilidade. Clara Cruz, gerente executiva de sustentabilidade da Suzano, destaca que o foco é identificar vocações locais, com investimentos de R$ 28,6 milhões em 2022 beneficiando 120 mil pessoas, visando alcançar 200 mil até 2030.

Atualmente, a Coopeafe reúne 27 associações em três territórios, atendendo mais de 1,2 mil pessoas. A produção mensal atinge uma tonelada de óleo, azeite e mesocarpo, além de extrativismo de açaí e buriti. Durante a entressafra do babaçu, que dura nove meses com pico em agosto e setembro, as famílias são incentivadas a cultivar hortaliças para renda extra. A Suzano mantém contrato para fornecimento de produtos ao refeitório de sua fábrica, fomentando uma cadeia produtiva integrada.

Desafios persistem, como a derrubada de palmeiras de babaçu por pecuaristas, que alegam prejuízos aos pastos. Teresinha de Souza Cruz, quebradeira desde os dez anos, lamenta o uso de veneno nessas práticas, enfatizando o valor integral da planta, da palha para artesanato ao adubo natural. A reserva extrativista Ciriaco, com 7,5 mil hectares, abriga mais de 180 famílias e serve como bastião de preservação.

A Lei do Babaçu Livre garante acesso das quebradeiras a fazendas para coleta dos frutos caídos, mas sua aplicação depende de negociações. Márcia Alves Varanda, consultora de extrativismo sustentável da Suzano, ressalta o papel da mediação para conscientizar produtores, muitas vezes resultando em compras de subprodutos pelas próprias fazendas. Essa abordagem dialogada fortalece relações comunitárias.

As metas da cooperativa incluem expandir a base de participantes, adquirir máquinas para óleo puro e inserir produtos no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e em redes de supermercados. Esses esforços visam não só a sustentabilidade econômica, mas também a valorização política de tradições indígenas e extrativistas na Amazônia Legal, em meio a debates sobre desenvolvimento rural e preservação ambiental.

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