Clima

Desafios climáticos e fertilizantes sustentáveis na agenda da COP30

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Belém (PA) — O mercado brasileiro de fertilizantes deve registrar crescimento neste ano, impulsionado pela necessidade de reposição de nutrientes no solo após uma colheita recorde. No entanto, as perspectivas variam por região, tornando a safra 2025/26 particularmente desafiadora. Essa avaliação foi feita por Marcelo Altieri, CEO da Yara no Brasil, durante entrevista em Belém, onde participa da COP30.

Altieri destacou o bom desempenho em áreas como Mato Grosso, o Centro e o Sudeste do país. Em contraste, o Sul enfrenta maiores obstáculos, especialmente o Rio Grande do Sul, impactado por secas e enchentes nas últimas quatro safras. A Yara, que possui sua principal planta no estado, mantém parcerias fortes com agricultores locais. Fatores como crédito restrito e baixos preços de grãos, pressionados por estoques globais elevados, agravam a situação, exigindo dos produtores esforços para manter a rentabilidade.

Apesar dos desafios, o executivo expressou confiança na resiliência dos agricultores brasileiros, prevendo que a próxima safra não diferirá significativamente da anterior em termos de volume. Na COP30, a Yara tem apresentado iniciativas para reduzir a pegada de carbono na agricultura, como o caso de um café de baixo carbono produzido por um cooperado da Cooxupé, com fertilizantes renováveis fornecidos pela empresa, resultando em uma redução de 40% nas emissões em comparação à média nacional.

A produção de fertilizantes renováveis envolve a substituição do gás natural por fontes como biometano. Na planta de Cubatão (SP), a Yara fabrica amônia renovável, cortando emissões em 75% em relação à versão fóssil. Parcerias semelhantes foram estabelecidas com a Barry Callebaut para cacau na Bahia, onde testes mostraram aumento de produtividade e queda de 40% nas emissões por tonelada, e com a PepsiCo para batatas, com reduções entre 40% e 66%.

Escalar essa produção enfrenta barreiras de custo, com a necessidade de importar amônia de baixo carbono da Noruega devido à limitada disponibilidade local. Altieri argumentou que o consumidor final deve arcar com esses custos, escolhendo produtos sustentáveis para impulsionar o mercado. Ele enfatizou a importância de conscientizar a sociedade sobre o papel do agricultor na preservação do solo e na segurança alimentar.

A compensação por práticas agrícolas sustentáveis tem sido um tema recorrente no agro durante a COP30, com apelos para que produtores sejam recompensados por cuidar dos recursos naturais. Altieri defendeu que o solo representa o melhor seguro contra as mudanças climáticas, e que escolhas conscientes por produtos sustentáveis são essenciais para mitigar impactos ambientais globais.

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