Algodão

Desafios econômicos globais pressionam produção de algodão no Brasil

109

As projeções do Itaú BBA apontam para uma redução na área plantada de algodão no Brasil na safra 2025/26, influenciada pela desvalorização do mercado, pelo aumento nos custos de produção e pelo estreitamento das margens dos produtores. Esse cenário reflete pressões econômicas mais amplas, que podem ter implicações políticas no setor agrícola, especialmente em um país onde a agricultura é pilar da economia e das exportações.

Apesar do avanço na oferta global, impulsionado pela maior produtividade nas lavouras americanas, que manteve a produção próxima de 3 milhões de toneladas, o banco destaca que a China também deve ampliar sua produção. Essa expansão reforça a oferta mundial em comparação ao ciclo 2024/25, contribuindo para um mercado abastecido que desestimula a expansão de áreas no Brasil.

O consumo global de algodão deve permanecer estável em 25,9 milhões de toneladas, o que resulta em estoques finais mais elevados. No contexto brasileiro, a expressiva produção da safra 2024/25 continua a influenciar o balanço de oferta para o próximo ciclo, com a demanda interna contida devido aos juros elevados que limitam o consumo de têxteis e vestuário.

As exportações brasileiras de algodão estão projetadas para atingir um novo recorde, superando 3 milhões de toneladas. No entanto, esse volume não será suficiente para conter o aumento dos estoques de passagem, agravado pela grande colheita e pelo elevado estoque inicial, o que reforça a cautela entre os produtores diante de incertezas econômicas.

As perspectivas para a área plantada no Brasil permanecem divididas, mas o consenso indica um recuo, impulsionado por custos altos, margens enxutas e dúvidas sobre preços futuros. Produtores demonstram prudência em um ambiente marcado por variáveis econômicas voláteis.

No âmbito externo, a OCDE revisou sua estimativa de crescimento global para 3,2% em 2025, mas prevê uma desaceleração para 2,9% em 2026, quando os efeitos das mudanças nas políticas comerciais devem se tornar mais evidentes. Essa projeção pode influenciar decisões políticas no Brasil, especialmente em negociações comerciais internacionais que afetam o agronegócio.

Conteúdos relacionados

Novos algodões chegam ao campo com resistência a nematoides, lagartas e doenças
AgriculturaAlgodãoInovação

Embrapa lança novas cultivares de algodão resistentes a nematoides e lagartas

Duas novas cultivares de algodão desenvolvidas pela Embrapa em parceria com a...

RAINBOW-CERRADO-Algodao-Foto-Wenderson-Araujo-CNA-Brasil7
AgriculturaAlgodãoEconomia

Abrapa entrega agenda prioritária do algodão a candidatos à Presidência em 2026

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) entregou aos candidatos à...

Vista aérea de lavouras de soja e milho no Brasil representando produção agrícola
AgriculturaAlgodãoSoja

Dez municípios concentram R$ 66 bilhões da produção agrícola do Brasil em 2025

Um levantamento do IBGE divulgado na Pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM)...

Foto: Carlos Rudiney/ MarcPlus
AgriculturaAlgodãoEconomia

Abrapa entrega propostas aos presidenciáveis para fortalecer o algodão até 2030

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) apresentou propostas aos presidenciáveis...