Energia

Atrasos no biodiesel: o B16 ainda é uma incógnita para 2025?

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A indústria de biocombustíveis no Brasil enfrenta uma incerteza significativa sobre o aumento da mistura de biodiesel no diesel, conhecido como B16. Previsto inicialmente para março de 2025, o mandato que elevaria a proporção de 15% para 16% pode não se concretizar no prazo, devido a atrasos nos testes de viabilidade técnica. Essa dúvida persiste mesmo com a Lei do Combustível do Futuro, que estabelece um cronograma gradual até o B20 em 2030.

Analistas da XP Investimentos, como Leonardo Alencar, Pedro Fonseca e Samuel Isaak, consideram “altamente improvável” a implementação em março. Em relatório recente, eles destacam que a legislação não fixa datas específicas, prevendo apenas um aumento anual de 1 ponto percentual, com o blend variando entre 13% e 25%. A decisão final cabe ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), e os testes técnicos são o principal entrave.

Em outubro, Marlon Arraes, diretor de biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), indicou que o país poderia não concluir os estudos a tempo. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) também projeta que os resultados dos testes só saiam entre julho e agosto de 2025. André Nassar, presidente da Abiove, reconhece os benefícios da substituição de combustíveis fósseis e o estímulo à produção de farelo de soja, mas expressa preocupação com o cronograma instável.

Jerônimo Goergen, novo presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), reuniu-se recentemente com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para defender a aceleração do B16. Em entrevista, Goergen afirmou que o mandato deve sair em 2025, com apoio do governo e do presidente da República, mas sem garantia de data. Ele enfatiza a necessidade de criar um ambiente de segurança para o anúncio.

Para evitar atrasos futuros, Goergen propõe antecipar os testes para as misturas B17 a B20, em vez de deixá-los para o ano de implementação. Ele argumenta que a falta de previsibilidade prejudica o planejamento da indústria, destacando: “Se uma hora aumenta a mistura, mas outra hora espera para aumentar, não tem indústria que consiga se planejar”.

Goergen, ex-deputado federal por três legislaturas e criador da Frente Parlamentar do Biocombustível em 2011, defende uma maior integração entre as associações do setor, como Aprobio, Abiove e União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio). Segundo ele, apenas um terço das indústrias está associado, e uma união de forças facilitaria a antecipação dos testes.

Além disso, o mandato de Goergen na Aprobio inclui uma agenda para expandir mercados para o biodiesel brasileiro. Em janeiro, será lançada uma campanha para reposicionar o produto como estratégico para o país, visando destacar seu papel na transição energética.

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