A pecuária argentina registrou uma queda expressiva no abate de bovinos em maio de 2026, ao mesmo tempo em que o peso médio das carcaças aumentou, indicando possível início de recomposição do rebanho após anos de liquidação de matrizes. Os dados divulgados pelo Consórcio Argentino de Exportadores de Carne Bovina apontam para uma oferta menor de animais terminados e maior produtividade individual. O jornal Clarín destacou que o movimento reflete a retenção de fêmeas por parte dos produtores.
Queda no volume de abate e produção
Em maio, o abate totalizou 1,001 milhão de cabeças, uma redução de 11,3% em relação ao mesmo mês de 2025. A produção de carne bovina alcançou 239,8 mil toneladas, volume 8,5% inferior ao registrado no ano anterior. Apesar da queda, o peso médio da carcaça subiu para 239,6 kg, sinalizando melhoria na eficiência produtiva.
Retenção de matrizes impulsiona mudança
O acumulado de janeiro a maio de 2026 confirma a tendência de menor participação de fêmeas no abate. Após período prolongado de liquidação de vacas e novilhas, os criadores agora priorizam a retenção de matrizes para recompor o rebanho. Frigoríficos e produtores ajustam suas estratégias diante da redução da oferta de animais prontos para o abate.
A fase atual deve manter a pressão sobre os volumes exportados no curto prazo, mas pode elevar a qualidade e o rendimento médio da carne argentina nos próximos meses. Especialistas do setor observam que o aumento do peso das carcaças compensa parcialmente a menor quantidade de cabeças abatidas. O cenário reforça a transição para um ciclo de recomposição que beneficia a sustentabilidade da cadeia pecuária.