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Fungos do intestino de lagarta degradam isopor, descobrem pesquisadores da UFSCar

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Imagem ilustrativa criada por IA
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Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em parceria com a Unesp de Rio Claro, descobriram que fungos presentes no intestino da lagarta Helicoverpa armigera conseguem degradar o poliestireno expandido, popularmente conhecido como isopor. A equipe coordenada pelo professor Flavio Henrique Silva analisou a microbiota intestinal desses insetos e identificou microrganismos com potencial para atuar na decomposição de resíduos plásticos de difícil reciclagem. O achado representa uma abordagem biológica inovadora para enfrentar o acúmulo de materiais que levam centenas de anos para se decompor no ambiente.

Análise da microbiota intestinal

Os cientistas examinaram amostras do intestino das lagartas e isolaram fungos dos gêneros Aspergillus, Talaromyces, Metarhizium, Trematosphaeria e Penicillium. Em seguida, cultivaram esses microrganismos diretamente sobre películas de poliestireno expandido durante 60 dias. O experimento revelou crescimento dos fungos e alterações visíveis na superfície do material, indicando atividade degradadora.

Objetivo da pesquisa

O principal objetivo do estudo é desenvolver soluções biológicas sustentáveis para o gerenciamento de resíduos plásticos, especialmente o isopor, que representa desafio significativo para a reciclagem convencional. A presença desses fungos no intestino da lagarta sugere uma interação natural que pode ser explorada para acelerar a decomposição de plásticos em escala controlada. Os pesquisadores pretendem otimizar essa capacidade microbiana para aplicações práticas no tratamento de lixo.

A ideia é criar uma larva extremamente eficiente na degradação do isopor, funcionando como um verdadeiro ‘cavalo de Troia’ biológico.

Flavio Henrique Silva

Os resultados obtidos até o momento reforçam a importância de investigar microrganismos associados a insetos para aplicações ambientais. A continuidade dos trabalhos deve focar na seleção e no aprimoramento das cepas mais eficientes, sempre respeitando os limites éticos e de biossegurança. Essa linha de pesquisa abre perspectivas para novas estratégias de bioremediação em um cenário de crescente preocupação com a poluição por plásticos.

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