O Rio Grande do Norte consolidou-se como o principal produtor de sal marinho no Brasil, responsável por 95% da produção nacional, mas enfrenta agora uma tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre as importações do produto brasileiro, o que ameaça até 4 mil empregos diretos no setor salineiro.
Empresas como Salina Diamante Branco, Salinor e Norsal concentram a cadeia produtiva na região de Areia Branca, onde o Terminal Salineiro de Areia Branca, conhecido como Porto-Ilha ou TERSAB, facilita a logística de exportação. As condições climáticas semiáridas da área favorecem a extração, enquanto o sindicato SIESAL representa os trabalhadores diante das mudanças no comércio internacional.
Dependência do mercado americano
Entre 2018 e 2024, os Estados Unidos absorveram 47% do faturamento externo do sal produzido no Rio Grande do Norte. A tarifa de 50% imposta recentemente pelos americanos coloca o produto brasileiro em desvantagem competitiva, já que incentivos fiscais concedidos em 2025 ainda não compensam o impacto nas exportações.
Redirecionamento e concorrência
Produtores avaliam alternativas de mercado para mitigar os efeitos da tarifa americana. Países como Chile, Egito, Namíbia e México surgem como concorrentes diretos que mantêm acesso mais favorável ao mercado dos Estados Unidos, o que reforça a necessidade de ajustes na estratégia comercial do setor salineiro do Rio Grande do Norte.
A infraestrutura do Porto-Ilha continua central para escoar a produção, mas a dependência histórica do mercado americano exige ações coordenadas entre empresas, sindicato e poder público para preservar os empregos e a relevância do estado na produção nacional de sal marinho.