O déficit no mercado brasileiro de milho deve saltar para 7,2 milhões de toneladas no ciclo 2026/27, ante 2,7 milhões de toneladas na temporada anterior. A estimativa da consultoria Datagro, divulgada em agosto de 2026, aponta para uma demanda total de 154,7 milhões de toneladas, enquanto a produção permanece em 147,5 milhões de toneladas. O principal motor desse desequilíbrio é o consumo crescente das usinas de etanol, que deve absorver 32,49 milhões de toneladas do cereal.
Projeções mantêm exportações estáveis
As exportações foram projetadas em 45 milhões de toneladas, sem alterações relevantes em relação aos ciclos anteriores. Com isso, os estoques finais devem fechar em 8,9 milhões de toneladas. A manutenção da produção em 147,5 milhões de toneladas reflete as condições atuais de cultivo, apesar das margens apertadas enfrentadas pelos produtores e do crédito mais restrito disponível no setor.
Demanda por etanol impulsiona desequilíbrio
O crescimento da demanda por milho para a produção de etanol é o fator central por trás do déficit ampliado. Analistas destacam ainda preocupações com o fenômeno El Niño, que pode afetar as lavouras nos próximos meses. O cenário combina aumento de consumo industrial com desafios climáticos e dificuldades de financiamento para os agricultores.
Analistas comentam cenário de preços
O setor de ração animal também acompanha de perto as oscilações no fornecimento. A combinação desses elementos gera um ambiente de maior volatilidade para toda a cadeia produtiva do milho.
O déficit é muito puxado pelo incremento das usinas de etanol
Gabriel Bastos
Quando fala que tem possível melhora do preço é um alento, também destacando a preocupação com o El Niño… cenário nervoso… pelo menos em termos de preços tem um cenário de preços um pouco melhor
Flávio França Júnior