A nova regra europeia contra o desmatamento, conhecida como EUDR, tem potencial para transformar a cadeia internacional do café e gerar efeitos em países fora da União Europeia, incluindo o Brasil, principal produtor global. Um estudo da organização Trase indica que empresas com forte atuação no mercado europeu devem adotar sistemas unificados de rastreabilidade para atender às exigências de origem dos grãos e reduzir custos operacionais.
Empresas optam por padronização global
Companhias como JDE Peet’s, Louis Dreyfus e Neumann Gruppe enfrentam a necessidade de fornecer informações detalhadas sobre a origem dos grãos para combater o desmatamento. Com 84% de exposição ao mercado europeu no caso da JDE Peet’s, essas organizações consideram mais eficiente manter um único padrão de controle em vez de sistemas separados para diferentes regiões.
A medida surge porque o regulamento exige transparência total na cadeia de suprimentos. Dessa forma, produtores e exportadores, especialmente brasileiros, precisam se adequar a critérios mais rigorosos de monitoramento para continuar atendendo clientes europeus e manter a competitividade em outros mercados.
Consequências para o Brasil e exportadores
O Brasil, como grande fornecedor de café, sente os reflexos da regra mesmo sem estar sob jurisdição direta da União Europeia. A tendência de unificação dos padrões de rastreabilidade pode elevar os custos iniciais, mas também oferece oportunidade de modernização das práticas de origem e controle ambiental em toda a cadeia.
Traders globais avaliam que a padronização reduz duplicidade de processos e simplifica a logística internacional. Com isso, a adaptação ao EUDR tende a influenciar positivamente a governança ambiental em regiões produtoras, desde que haja investimentos em tecnologia e certificação adequados.